CONTAS. Pelo segundo ano consecutivo, resultado líquido da concessionária nacional recuou. Fundos de Abandono ainda ensombram as contas e auditor independente evidencia discrepancia milionária.
Por Mateus Mateus
O resultado líquido da Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustiveis (ANPG) recuou 69,23%, para os 258,119 mil milhões de kwanzas em 2025.
É o segundo ano consecutivo que a concessionária nacional vê o resultado a quebrar, depois de ter saido dos 2,4 biliões de kwan-zas em 2023 para os 839,017 mil milhões kwanzas no ano seguinte.
A agência destaca a variação cambial entre os argumentos para explicar o recuo do resultado, num ano em que o auditor inde pendente reiterou a preocupação com a discrepancia nas ‘contas a receber’ do Fundo de Abandono.
No relatório e contas de 2025, a administração liderada por Pau-lino Jerónimo escreve que os resultados financeiros do período em análise estão relacionados com “as actualizações do Fundo de Abandono, bem com diferenças de câmbio desfavoráveis”. E que as transacções em moeda estrangeira são avaliadas e registadas em diferenças de câmbio favoráveis e/ou desfavoráveis.
“Face ao volume de transacções em moeda estrangeira e decorrente da política cambial do país, a instituição registou perdas e ganhos consideráveis, derivados da avaliação cambial e compensações das contas, o que teve um impacto considerável no resultado financeiro e nos resultados
580 Mil milhões de kwanzas, valor total que a ANPG perdeu em resultado líquido.
líquidos da Instituição”, justi-fica a administração no relatório. Por outro lado, os activos e
passivos aumentaram 13,67% para 14,900 mil milhões de kwanzas, situação justificada com a reclas-sificação da actualização finan-ceira ao valor dos fluxos de caixa que concorrem para a provisão do abandono.
AUDITOR EVIDÊNCIA DIS-CREPÂNCIAS ENTRE ANPG E SONANGOL
O auditor independente mani-festou preocupação com a dis-crepância dos valores declarados pela ANPG e pela Sonangol. A PwC diz ter deixado reserva nas contas por ter notado que os saldos do Fundo de Abandono no montante de 1,619 biliões de kwanzas (2024: 1,623 biliões de kwanzas) dos quais 630,690 mil milhões de kwanzas correspon-dem a adiantamentos realizados ao grupo empreiteiro do Bloco 2/05, a Sonangol, na qualidade de antiga concessionária.
No entanto, durante o processo de confirmação externa dos sal-dos, a resposta que a consultora obteve da Sonangol apresenta um saldo de 65,141 mil milhões de kwanzas, registando uma diferença de 565,448 mil milhões de kwanzas (2024: 513,702 mil milhões de kwanzas).
“Não nos foi possível obter prova de auditoria suficiente e apropriada que nos permitisse concluir sobre a natureza e os efeitos, caso existam, desta divergência nas demonstrações financeiras do exercício”, escreve o auditor que recorda tratar-se de uma situação recorrente e que já foi motivo de reserva no exercício de 2024, quando as contas foram auditadas pela Deloitte. A ANPG, por sua vez, refere que, até 31 de Dezembro de 2025, estavam reconhecidos 1,619 biliões de kwanzas a receber da Sonangol correspondentes aos montantes fundeados pelos grupos empreiteiros, em contas bancárias titu-ladas pela antiga Concessionária Nacional, assim como valores a receber da Total.
Valor Econômico
