Novo PGR nomeia familiares para cargos de direcção

A recente composição da equipa dirigente da Procuradoria-Geral da República (PGR), liderada pelo novo Procurador-Geral da República, Pedro Mendes de Carvalho, está a suscitar questionamentos em torno da nomeação de familiares para cargos considerados estratégicos da instituição.

Segundo informações que circulam em meios jurídicos e institucionais, Pedro Mendes de Carvalho terá nomeado o seu genro, Simão Chaluca, para dirigir a Direcção Nacional de Organização, Planeamento e Estatística, estrutura responsável pela planificação, organização e acompanhamento das actividades da PGR.

Ainda de acordo com as mesmas informações, Osvaldo Chissopa, apontado como sobrinho da esposa do Procurador-Geral da República, foi designado para a Direcção Nacional de Administração e Gestão do Orçamento, órgão responsável pela gestão financeira da instituição.

A lista de nomeações inclui igualmente Manuel Festo, identificado como sobrinho do PGR, para o cargo de secretário judicial do Conselho Superior da Magistratura do Ministério Público, órgão com competências na nomeação, colocação, promoção e disciplina dos magistrados do Ministério Público.

As alegações referem ainda que as deliberações relativas a estas nomeações não terão sido publicadas, circunstância que levanta interrogações sobre a transparência do processo administrativo e dificulta o escrutínio público das decisões.

Especialistas em governação pública defendem que a nomeação de familiares para cargos de direcção em instituições do Estado, ainda que não seja automaticamente ilegal, exige o cumprimento rigoroso dos princípios da imparcialidade, transparência e prevenção de conflitos de interesses, de forma a preservar a confiança dos cidadãos nas instituições.

Entre as questões levantadas por observadores estão os critérios que terão presidido às escolhas, a eventual existência de outros candidatos para os cargos e os mecanismos adoptados para prevenir conflitos de interesses.

Até ao momento, a Procuradoria-Geral da República não se pronunciou publicamente sobre estas alegações nem esclareceu os critérios utilizados nas referidas nomeações.

Caso se confirmem, as designações poderão alimentar o debate sobre as práticas de governação interna da PGR e os desafios relacionados com a transparência na administração da justiça, numa altura em que a instituição é chamada a reforçar a confiança pública e o combate à corrupção.

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