Um homem de 47 anos matou a tiro a ex-companheira, de 46 anos, e suicidou-se momentos depois, na manhã de quarta-feira, na cidade do Dondo, município de Cambambe, província do Cuanza-Norte. O casal dirigia-se ao tribunal para responder a uma notificação relacionada com o processo de separação e partilha de bens quando ocorreu a tragédia.
Segundo o comandante municipal de Cambambe da Polícia Nacional, intendente António Henriques Teixeira, o homem utilizou uma caçadeira de fabrico russo para disparar contra a antiga companheira, acabando depois por tirar a própria vida na via pública.
As primeiras informações apontam para um conflito prolongado entre o casal, motivado pela divisão do património adquirido durante a união.
Em declarações, Nicolau Cristóvão Domingos, sobrinho do autor dos disparos, explicou que os desentendimentos entre ambos se intensificaram nos últimos dias devido ao processo de partilha dos bens.
“Eles discutiam constantemente por causa dos bens e da divisão do património. Nos últimos dias, as discussões tornaram-se mais intensas”, relatou.
Segundo o familiar, a mulher decidiu recorrer aos tribunais para resolver o litígio patrimonial, tendo ambos sido notificados para comparecerem em juízo precisamente no dia em que ocorreu o homicídio seguido de suicídio.
O caso causou forte consternação entre familiares, vizinhos e amigos do casal, que afirmam ter acompanhado, nos últimos meses, o agravamento dos conflitos relacionados com a separação.
A Polícia Nacional deslocou-se ao local para efectuar os primeiros trabalhos de perícia e recolha de provas, enquanto o Serviço de Investigação Criminal (SIC) abriu um inquérito para apurar todas as circunstâncias do caso.
O episódio volta a chamar a atenção para os casos de violência em contexto de separação conjugal e litígios familiares.
Especialistas em psicologia e mediação de conflitos defendem que situações de elevada tensão emocional exigem acompanhamento especializado e mecanismos eficazes de prevenção, sobretudo quando existem sinais de escalada da violência.
Nos últimos anos, Angola tem registado vários casos de homicídios em contexto de violência doméstica e conflitos entre antigos companheiros.
Organizações da sociedade civil têm alertado para a necessidade de reforçar os mecanismos de protecção das vítimas, acelerar a resolução de processos familiares nos tribunais e ampliar os serviços de apoio psicológico e mediação, de forma a prevenir desfechos trágicos como o ocorrido no município de Cambambe.
Imparcial Press
