George Chicoty foi constituído arguido por suposto “sumiço” de mais de 15 milhões de euros da compra de um edifício que seria embaixada de Angola em Portugal

O antigo ministro das Relações Exteriores de Angola, Georges Chicoty, foi constituído arguido no âmbito de uma investigação relacionada com a aquisição de um imóvel em Lisboa destinado a acolher, (em 2015) a sede consular angolana em Portugal, num processo marcado por alegadas irregularidades e perda do investimento público.

Segundo o Novo Jornal, vários antigos responsáveis diplomáticos angolanos, entre os quais Georges Chicoty, José Marcos Barrica, Narciso do Espírito Santo e Cecília Baptista (actual embaixadora de Angola no Reino da Suécia), já foram ouvidos pela Direção Nacional de Investigação e Ação Penal (DNIAP), no quadro do processo, sendo que George Chicoty foi formalmente constituído arguido.

O caso remonta a 8 de maio de 2015, quando o Estado angolano, representado pelo então embaixador em Portugal, Marcos Barrica, celebrou com o Grupo Bartolomeu Dias, um contrato-promessa de compra e venda de um imóvel, no valor de 15.970.000,00 Euros (Quinze milhões e novecentos e setenta mil euros), pagos pelo Estado angolano, apesar de o imóvel ter um valor patrimonial avaliado em cerca de 5.676.270,00 Euros (Cinco milhões e seiscentos e setenta e seis mil e duzentos e setenta euros), localizado em Lisboa, que incluía um edifício com várias caves para estacionamento, rés-do-chão, galeria, cinco pisos e sótão, com a finalidade exclusiva de instalação do Consulado-Geral de Angola em Lisboa.

Apesar do pagamento integral, não chegou a ser realizada a escritura pública de compra e venda, o que deixou o negócio sem consolidação jurídica definitiva. Esta falha acabou por gerar um impasse prolongado, deixando o imóvel de estar disponível para entrega ao Estado angolano, levando as autoridades angolanas, onze anos depois, a
intentar uma acção judicial contra o Grupo Bartolomeu Dias e a defender (exigir) a devolução do valor pago, sob argumento de que o objectivo do contrato não foi concretizado.

No entanto o empresário reage, dizendo que houve inércia e negligência do Estado angolano e seus representantes.

Para resolver este impasse o Governo angolano via Ministério das Finanças contratou o escritório de Carlos Pinto de Abreu e Associados, Sociedade de Advogados, a favor do qual foi emitida pelo Ministério das Relações Exteriores ( MIREX), a procuração forense, datada de 22 de Outubro de 2025, com o pagamento de 36, 9 mil euros de ” contrapartida de prestação de serviços jurídicos” conforme avançou o Novo Jornal na sua edição online de 19 de Dezembro de 2025.

Novo Jornal

Voltar ao topo