Falta de um advogado de defesa por motivos de saúde levou à suspensão, esta segunda-feira, da fase de alegações do julgamento conhecido como “caso russos”. O Novo Jornal apurou junto de uma fonte do tribunal que não há, por ora, data prevista para a retoma desta etapa — a última antes de o colectivo de juízes poder marcar a leitura da sentença.
O processo junta em banco dos réus quatro homens: os russos Lev Lakshtanov e Igor Ratchin, que as autoridades angolanas associam a redes internacionais de financiamento ao terrorismo; o jornalista da TPA Amor Carlos Tomé; e Francisco Oliveira, “Buka Tanda”, secretário para a Mobilização da JURA, juventude da UNITA.
A tese da acusação, sustentada pelo Ministério Público, é grave: os quatro estariam envolvidos na preparação de um golpe de Estado, com a promessa de entregar activos económicos angolanos em troca do apoio de forças da oposição, além de canalizar fundos para a campanha da UNITA nas eleições de 2027.
No caso de Amor Carlos Tomé, o MP acrescenta uma acusação de recrutamento de jornalistas para espalhar, em órgãos de imprensa, rádios e redes sociais, conteúdos falsos destinados a alimentar desconfiança e hostilidade face ao governo.
Em termos de moldura penal, os dois cidadãos russos respondem pelo maior número de crimes — 11 no total, entre os quais terrorismo, espionagem, organização e financiamento ao terrorismo, corrupção activa e introdução ilegal de moeda estrangeira em Angola.
Tomé enfrenta nove acusações, incluindo burla, enquanto Oliveira responde por cinco, entre elas espionagem e tráfico de influência.
Os quatro arguidos estão detidos desde Agosto do ano passado, após terem sido apanhados pela polícia em Luanda no rescaldo da greve dos taxistas — paralisação que, motivada pela subida do preço dos combustíveis e das tarifas dos transportes, acabou marcada por episódios de vandalismo nas ruas da capital.
