Aliou Cissé é o novo selecionador de Angola. A Federação Angolana de Futebol (FAF) apresentou ontem o técnico franco-senegalês, de 50 anos, encerrando meses de negociações que só agora puderam ser formalizadas, após a rescisão do seu contrato com a Líbia.
A contratação surge num momento delicado para o futebol angolano. Os Palancas Negras ocupam o 89.º lugar no Ranking FIFA e chegam de uma CAN 2025 — encerrada em janeiro deste ano — que a própria FAF reconheceu como um fracasso. Cissé terá pouco mais de um mês para preparar os próximos compromissos da seleção, agendados para junho, frente a adversários em fase de preparação para o Campeonato do Mundo.
A libertação do técnico tornou-se possível depois de a Federação de Futebol da Líbia ter rescindido o contrato com Cissé, que acumulava mais de oito meses de salários em atraso — numa remuneração que alegadamente ultrapassava os 76 mil euros mensais, tornando-o no segundo selecionador mais bem pago de África, atrás apenas de Vladimir Petkovic, da Argélia. Um valor que quase duplicava os 46 mil euros que auferia ao serviço do Senegal. O vínculo, iniciado em março do ano passado, terminou um ano antes do previsto.
O percurso de Cissé fala por si. Durante dez anos foi o timoneiro dos Leões da Teranga, dirigindo a equipa em 101 jogos — 65 vitórias, 22 empates e 14 derrotas. Esteve presente em seis fases finais de grandes competições, entre dois Mundiais e quatro CAN, tendo conquistado o título africano em 2022 e um CHAN. Ainda nos sub-23, levou o Senegal aos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016. Enquanto jogador, passou por Lille, PSG, Montpellier, Sedan e Nîmes em França, e ainda pelo Birmingham e Portsmouth em Inglaterra.
O processo foi conduzido com total discrição por Kali, antigo internacional angolano e vice-presidente da FAF para as seleções nacionais. Ainda assim, A Bola havia avançado a 6 de março que Cissé seria o eleito. A remuneração acordada permanece confidencial, em linha com a política que a atual direção da FAF se compromete a manter.
