Invasão de terrenos, vistos bloqueados e burocracia: empresária chinesa avisa que Angola está a perder investidores

Linda Liu, vice-presidente do Grupo HS e da Câmara de Comércio Angola-China, traça um retrato duro do ambiente de negócios no país.

Entre denúncias de invasão de terrenos, bloqueios na emissão de vistos e barreiras administrativas, a líder do Grupo HS acusa falhas graves no sistema e avisa que os entraves estão a afastar investidores — mas garante que não desiste.

A história do Grupo HS em Angola começa em 2006, quando a empresa chegou ao país como empreiteira de obras públicas. Três anos depois, em 2009, nasceu a Mar Grandioso, braço de investimento imobiliário privado do grupo. Desde então, foram mais de 80 obras concluídas e vários projetos financiados com fundos próprios: os condomínios Jardim de Rosas, Austin, Orlando Residencial e Vila Kuditemo, e ainda o Shopping Popular — anteriormente conhecido como Ango Chin Shopping —, o primeiro centro comercial de promotores chineses em Angola.

“Durante estes 20 anos, crescemos muito e também diversificámos bastante o nosso negócio”, afirma Linda Liu. Depois do sucesso na construção e no imobiliário, o grupo tentou entrar no sector das pescas e prepara agora dois projetos de grande envergadura: o primeiro Centro Tecnológico Automóvel de Angola e a Nova Cidade Industrial no Icolo e Bengo. Ambos serão financiados com capitais próprios.

Para 2026, o foco imediato é o arranque do Centro Tecnológico Automóvel. O projeto, já com os terrenos legalizados e em fase de licenciamento, deveria ter arrancado no ano passado, mas acabou travado por dificuldades no processo. “Este ano, o foco é iniciar, porque já arranjámos vários parceiros interessados”, garante a empresária.

O conceito inspira-se no modelo chinês de concentração sectorial: stands multimarca, centro de manutenção, hipermercado de peças, linha de montagem de veículos comerciais — para a qual já foi assinado um memorando de entendimento com uma marca — e um centro de formação para mecânicos e técnicos. Outras marcas manifestaram igualmente interesse em instalar linhas de montagem no espaço.

A par do Centro Tecnológico, a Nova Cidade Industrial no Icolo e Bengo é descrita como “muito importante” para o grupo, a par de dois outros projetos imobiliários em preparação. O horizonte de investimento é ambicioso. As dificuldades, porém, são reais — e Linda Liu não as esconde.

Valor Econômico 
Voltar ao topo