A transportadora aérea angolana TAAG poderá avançar nas próximas semanas com um processo de redução de efectivos, no âmbito das medidas de reestruturação e preparação para a privatização da companhia.

Segundo fontes do Imparcial Press, a administradora executiva para as áreas Jurídica e de Capital Humano, Neide do Rosário Pinto Teixeira, estará a coordenar um plano de despedimento compulsivo de antigos funcionários e alguns recém-enquadrados sem protecção política ou sindical (actualmente controlado por uma ala de trabalhadores pertencentes ao MPLA).

Este “plano de despedimentos”, de acordo com as mesmas fontes, foi inicialmente desenhado em colaboração com Nelson Pedro Rodrigues de Oliveira, presidente da Comissão Executiva, hoje esvaziado de poder, e com a já demitida Administradora Executiva Manuela Resende da Costa Pardal.

Desde 2018, o próprio Presidente da República reconheceu publicamente o sobredimensionamento da mão-de-obra da TAAG. A frota reduzida contrasta com um quadro de pessoal que ultrapassa largamente a capacidade financeira da empresa.

Em vez de corrigir, sucessivas administrações agravaram a situação. Com a entrada do actual Conselho de Administração, entre 2024 e início de 2026, foram feitas contratações sem observância dos requisitos técnicos e legais, muitas delas fruto de nepotismo e favores políticos, segundo documentos internos e denúncias tornadas públicas.

Fontes ouvidas em várias áreas da empresa, informaram que o problema agravou-se porque a TAAG está sem capacidade de concluir os processos de reforma de trabalhadores já elegíveis desde 2024, quer por limite de idade, quer por tempo de serviço.

Funcionários que se dedicaram voluntariamente a adaptar os processos de reforma ao sistema electrónico do INSS foram afastados compulsivamente, num gesto que fontes internas classificam como injusto e punitivo.

Plano Palanca

O processo de reorganização da TAAG conta com o apoio técnico da companhia alemã Lufthansa Consulting, contratada pelo Estado angolano para assessorar a implementação do programa “Palanca”, iniciativa destinada à modernização e preparação da empresa para uma futura privatização.

Segundo fontes ligadas ao processo, os estudos realizados no âmbito do programa identificaram a necessidade de adequar os recursos humanos à realidade operacional da companhia, considerando essa medida essencial para a sustentabilidade financeira da transportadora.

Contudo, trabalhadores ouvidos pelo Imparcial Press receiam que eventuais despedimentos possam afectar funcionários com maior antiguidade, enquanto colaboradores admitidos mais recentemente permaneçam nos quadros da empresa.

Influência judicial

Historicamente, a TAAG perdeu mais de 90% dos processos laborais em tribunal, mesmo com o apoio do advogado Augusto Inglês, contratado pela companhia desde 2005.

Mas a entrada do escritório P&P, fundado por Danilo Pitta Groz, filho

o cenário. Desde 2025, os desfechos judiciais passaram a surpreender até os mais leigos em Direito.

Operadores judiciais e fontes ligadas ao sector afirmam sob reserva que têm existido “orientações superiores” nos processos da TAAG conduzidos por escritórios com ligações a antigos responsáveis do aparelho estatal.

Relações de proximidade entre dirigentes da companhia e figuras do sistema judicial são apontadas como chave para este novo alinhamento.

Vários analistas ouvidos, convergem ao dizer que relação próxima entre Nelson Oliveira e Hélder Pitta Groz possa ser a chave para este novo alinhamento.

Imparcial Press

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