Uma investigação baseada em documentos revela que o advogado angolano Carlos José Salombongo possui um património significativo em Portugal, composto por imóveis urbanos e veículos automóveis, com valores patrimoniais atualizados superiores a 340 mil euros.
Salombongo, identificado com o NIF português 283465387, é apontado como figura ligada a uma alegada rede de tráfico de influência que operava no gabinete do antigo presidente do Tribunal Supremo, Joel Leonardo, recebendo pagamentos em Portugal como parte das negociações.
De acordo com os dados oficiais, Salombongo, casado com Vera Leandra Godinho Salombongo, detém três imóveis nos concelhos de Seixal e Almada.
No Seixal, na União das Freguesias do Seixal, Arrentela e Aldeia de Paio Pires, possui a fração D de um prédio em regime de propriedade horizontal, inscrito desde 1982, cujo valor patrimonial passou de 5.791,04 euros para 68.263,62 euros em 2024.
Também no Seixal, na freguesia da Amora, figura como dono de um prédio em propriedade total sem divisões, inscrito desde 1983, avaliado inicialmente em 8.484,55 euros e atualizado para 182.790,11 euros em 2024.
Em Almada, na União das Freguesias de Almada, Cova da Piedade, Pragal e Cacilhas, detém a fração A de um prédio inscrito desde 1988, cujo valor patrimonial evoluiu de 4.878,09 euros para 92.927,18 euros em 2023.
Além do património imobiliário, os registos apontam para a posse de dois veículos: um Land Rover (matrícula 29-NI-44), registado em 2012, e um Citroën (matrícula 40-PG-39), registado em 2014, ambos em seu nome.
Os dados indicam que Salombongo mantém a situação fiscal regularizada em Portugal, com imóveis avaliados para efeitos de IMI e veículos devidamente registados.
De acordo com apurações, o património do advogado Carlos Salombongo em Portugal poderá ser ainda superior, e será reportado em próximas edições.
Paralelamente ao seu património, Salombongo tem sido associado a alegados esquemas de tráfico de influência no sistema judicial angolano.
Segundo relatos de meios de comunicação independentes e queixas de familiares de réus, ele teria influenciado decisões de tribunal em troca de benefícios económicos ou patrimoniais.
Familiares do antigo diretor financeiro da Unidade de Guarda Presidencial (UGP), coronel José Ricardo Tchiwana, afirmam que foram levados a pagar até 250 milhões de kwanzas ao advogado, com a promessa de obter redução de pena ou liberdade condicional.
Parte dos valores foi entregue após a venda de uma viatura do coronel, seguida de pagamentos adicionais, que não resultaram na decisão judicial prometida, levando os familiares a anular cedências de outros bens, incluindo um edifício de seis andares em Talatona.
Outra denúncia de grande repercussão envolve a viúva do general Jorge Silva Sukissa, que em documentos oficiais afirmou que Salombongo teria celebrado um acordo ilícito com herdeiros, prometendo manipular um processo judicial de inventário em troca de 1,5 milhões de dólares e 35% de participação em dívida pública superior a 10 mil milhões de kwanzas.
Registos anteriores indicam que Carlos Salombongo atuou como assessor do então presidente do Tribunal Supremo, Joel Leonardo, no Conselho Superior da Magistratura Judicial (CSMJ) — órgão responsável pela gestão disciplinar e administrativa dos magistrados.
Críticos apontam que esta posição próxima ao topo da magistratura teria permitido a acumulação de influência indevida sobre processos judiciais sensíveis, consolidando a sua notoriedade no sistema judicial angolano.
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