DESPESA. Num contexto marcado pela pressão dos combustíveis refinados que, só entre gasóleo e gasolinas, já ultrapassam os 740 milhões de dólares, com Portugal a assumir a liderança entre os fornecedores, dados das importações mostram alterações relevantes.
Por Alfredo Calunga
Nos primeiros três meses deste ano, o país gastou cerca de 4,18 mil milhões de dólares com importações de vários produtos, um aumento de 2,7%, face ao mesmo período de 2025, quando os gastos se situaram em cerca de 4,07 mil milhões de dólares, conforme cálculos do Valor Económico a partir da base de dados das importações da Administração Geral Tributária (AGT). Em termos nominais, trata-se de um acréscimo de 110,8 milhões de dólares, sendo que o peso total das importações atingiu cerca de 6,65 mil milhões de quilogramas, representando um aumento de aproximadamente 294%, face ao mesmo período de 2025, quando o volume se fixou em 1,69 mil milhões de quilogramas. A análise por rubricas con-firma que os combustíveis permanecem o principal factor de pressão sobre as importações, com o gasóleo a liderar de forma des-tacada, ao saltar de 362,8 milhões de dólares em 2025 para 488,98 milhões de dólares em 2026, um aumento expressivo de 34,8%.
Já as outras gasolinas mantive ram-se praticamente inalteradas, fixando-se em 255,06 milhões de dólares, face aos 253,7 milhões de dólares do ano anterior. No total, estas duas rubricas ultrapassam os 740 milhões de dólares.
No domínio alimentar, os dados revelam sinais mistos. As importações de arroz branqueado ou semi-branqueado recuaram de 82,3 milhões de dólares para 63,53 milhões de dólares, uma queda de 22,8%, enquanto as coxas e pedaços de frango atin-giram 64,14 milhões de dólares.
Já no segmento industrial, os produtos de ferro ou aço regista ram um crescimento significativo, saindo de 92,9 milhões de dóla-res para 116,41 milhões de dóla-res (+25,3%). Incluindo o registo de aviões e veículos aéreos com mais de 15 toneladas, com 83,75 milhões de dólares.
Um dos aspectos mais críticos
da leitura estatística continua a ser o peso das categorias agregadas. Em 2026, as rubricas classificadas como “Outros” representam, no mínimo, 258 milhões de dólares, distribuídos por diferentes sub-categorias (129,79 milhões; 75,90 milhões; 52,77 milhões). Ainda assim, este valor fica abaixo do
observado em 2025, em que várias entradas genéricas ultrapassavam individualmente os 300 milhões de dólares.
PORTUGAL ASSUME POSI-ÇÃO DE PRINCIPAL FORNE-CEDOR
Ao nível dos parceiros comer-ciais, os dados apontam para uma mudança na hierarquia dos principais fornecedores. Por-tugal assume a liderança, com 653,42 milhões de dólares, regis-tando um crescimento robusto de 57,5% face aos 414,8 milhões de dólares de 2025. Em sentido contrário, a China, que liderava no período anterior com 693,1 milhões de dólares, recua para 612,87 milhões de dólares, uma redução de 11,6%, embora se mantenha como segundo maior parceiro.
A Bélgica surge como terceiro maior fornecedor, com 411,35 milhões de dólares, enquanto a Índia reforça a posição, crescendo de 260,0 milhões de dólares para 308,91 milhões de dólares (+18,8%). Os Emirados Árabes Unidos também registam uma subida, saindo de 221,1 milhões de dólares para 297,64 milhões de dólares (+34,6%).
Em contrapartida, Reino Unido, Estados Unidos, Itália, Brasil, Argentina e Noruega, que integravam o top 10 em 2025, per-dem em 2026, o que sugere uma reconfiguração dos fluxos comer-ciais, possivelmente influenciada por factores conjunturais, como preços internacionais, cadeias logísticas e contratos específicos de fornecimento.
Valor Económico
