Movicel lidera despedimentos com a saída de 528 trabalhadores

EMPREGO. Sector das telecomunicações encolheu em mais de mil colaboradores. Quase metade foram funcionários da Movicel que agora estão em casa.

Face à situação de falência financeira e técnica com que se debate há vários anos, a Movicel, operadora de telefonia móvel, desfez-se de 528 trabalhadores no intervalo de quatro anos.

Segundo os cálculos do Valor Económico, os números colocam a empresa, entre os operadores das telecomunicações, na liderança dos despedimentos.

A trajetória de redução de colaboradores iniciou em 2022 quando passou a contabilizar 716, após uma diminuição de 21 colaboradores.

Contas feitas, dos 737 colaboradores passaram a estar vinculados à instituição 209 no fim do exercício de 2025.

Uma parte significativa dos colaboradores saiu por iniciativa própria, sobretudo, por conta dos incumprimentos salariais. A dificuldade levou também a administração a mandar colaboradores para casa até que a situação melhore, o que levou ao encerramento de agências e mudança da sede.

Segundo o sindicato dos trabalhadores da Movicel, a empresa ainda está em dívida salarial com funcionários que saíram por iniciativa própria e os que foram convidados a ficar em casa. Neste processo, alguns “caíram numa condição social precária, sem ter como sustentar a família e continuam aguardando pelo pagamento dos atrasados e recuperação da empresa”, conforme sublinha o sindicato.

As saídas na Movicel representam 41,7% dos 1.200 colaboradores que saíram das empresas inseridas no sector das telecomunicações.

Actualmente, o sector conta com 7.310 colaboradores. A Unitel é o maior empregador, mas reduziu a força de trabalho de 3 mil para os 2.975. Já a Africell passou de 352 para os 346.

A Angola Telecom, por sua vez, baixou de 668 para os 656, enquanto a Zap conta 773, depois de perder 26 empregados. No mesmo sentido, da DSTV saíram 11 trabalhadores, estando agora contabilizados 261.

Nas principais operadoras do mercado de telecomunicações, somente a TV Cabo registou aumento no seu pessoal, elevando de 262 para 264 trabalhadores.

Valor Econômico 

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