O ministro das Relações Exteriores, Téte António, é apontado internamente como estando a privilegiar a nomeação de quadros da comunidade bakongo para posições de responsabilidade no Ministério das Relações Exteriores (MIREX).
De acordo com as mesmas informações, desde que assumiu a chefia do MIREX, em 2020, o governante terá seguido uma lógica de preferência por quadros da sua comunidade de origem em determinadas nomeações, sobretudo para cargos de direcção e missões diplomáticas no exterior. Téte António é natural do Bembe, província do Uíge.
Entre as nomeações apontadas está a de João Baptista da Costa, natural do Cuimba, província do Zaire, para secretário-geral do MIREX. Matias João Pires, natural do Uíge, foi nomeado director do Gabinete de Estudos e Análise Estratégica e posteriormente promovido à categoria de embaixador.
Também são referidos Diakumpuna Sita José, natural do Uíge, nomeado embaixador itinerante, e Miguel Dialamícua, igualmente natural do Uíge, que assumiu funções de director da Direcção para a Ásia e Oceania.
A lista inclui ainda José Marcos Barrica, natural de Cabinda, nomeado director-geral da Academia Diplomática, além de outros diplomatas colocados em diferentes missões no exterior, entre os quais Colense Sebastião de Sousa, Désiré Ngombo Zinga e Sebastião João Tomás.
Outra situação que suscita interrogações é a de diplomatas que regressam a Luanda depois de concluírem missões no exterior e, num período relativamente curto, voltam a ser colocados em novas missões diplomáticas. Este procedimento terá ocorrido com vários quadros durante a actual gestão do MIREX.
Mais recentemente, Téte António nomeou Narciso do Espírito Santo Júnior para o cargo de cônsul-geral de Angola em Oshakati, na República da Namíbia. O diplomata é associado à comunidade bakongo e terá nascido e crescido no antigo Zaire.
A nomeação ocorre apesar de informações segundo as quais Narciso do Espírito Santo Júnior é visado, desde 2022, no processo n.º 6763/2022-DNIAP, na Procuradoria-Geral da República. O processo estará relacionado com suspeitas de peculato e abuso de poder, bem como com alegados despedimentos coercivos durante o período em que exerceu funções como cônsul de Angola em Lisboa.
Entre os quadros considerados influentes no MIREX é também apontado o veterano diplomata e embaixador itinerante Dombele Bernardo, presidente do Comité de Sábios da Comunidade Económica dos Estados da África Central (CEEAC). Segundo informações recolhidas, Dombele Bernardo teria influência sobre algumas nomeações de quadros bakongo, através de contactos junto do ministro.
O MIREX possui historicamente uma forte presença de quadros oriundos do norte de Angola, realidade que remonta a diferentes períodos da instituição. Entre os antigos titulares da pasta está o falecido Venâncio de Moura, também originário da região, cuja passagem pelo ministério é associada, por fontes críticas, à nomeação de familiares e de outros quadros da mesma região.
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