João Lourenço cumpriu apenas 5 das 30 promessas feitas entre 2017 e 2026, revela investigação da AOPI e Novo Jornal

Às vésperas do seu décimo e último discurso sobre o Estado da Nação, a 15 de outubro, o Presidente da República, João Lourenço, vê o balanço dos seus dois mandatos (2017–2026) confrontado por dados severos. Um estudo investigativo minucioso, elaborado pelos investigadores Helder Preza e Olívio Nkilumbu com o apoio da Angola Open Policy Initiative (AOPI) e publicado pelo Novo Jornal, revela que o governo de João Lourenço cumpriu integralmente apenas 5 das 30 grandes promessas feitas entre 2017 e 2026, evidenciando um profundo fosso entre a retórica oficial e a realidade do país.

O relatório, que cruzou nove discursos sobre o Estado da Nação e dois discursos de investidura com dados do próprio Executivo e de fontes independentes, aponta para um cenário de “opulência para o Estado e austeridade para o povo”, no qual os gastos com a Presidência e viagens oficiais superaram os investimentos sociais básicos.

Entre os exemplos citados estão os gastos milionários com consultorias e eventos de prestígio, em nítido contraste com a realidade de um país onde a maioria das crianças vive sem proteção básica contra a malária e os protestos sociais foram severamente reprimidos.

O estudo expõe ainda que os setores da educação, saúde e agricultura foram sacrificados para priorizar o pagamento da dívida pública, que consumiu 149 mil milhões USD — cinco vezes mais do que a verba efetivamente executada nessas três áreas fundamentais juntas. Paralelamente, o emblemático combate à corrupção é colocado em xeque, uma vez que os 7 mil milhões USD recuperados representam apenas 29% do prejuízo inicialmente estimado pelo próprio Executivo.

As inconsistências nos balanços financeiros de recuperação de ativos e a perceção de impunidade seletiva culminaram no retrocesso reputacional de Angola, que voltou a integrar a lista cinzenta do GAFI e a lista de alto risco da União Europeia.

  1. Lil Pasta News
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