O Grupo MCA, fundado em 1998 em Guimarães por Manuel Couto Alves, tornou-se um dos maiores beneficiários de obras públicas em Angola na última década, somando contratos de milhares de milhões de euros em energia e infraestruturas — mas também investigações sobre a forma como muitos lhe foram atribuídos.
O exemplo mais recente é a reabilitação da estrada que ligará Mavinga a Rivungo, anunciada como “mais um passo decisivo para aproximar comunidades, abrir caminhos e criar oportunidades em Angola”.
O Governo angolano assinou, durante a TXF Global Export, Agency & Project Finance 2026, em Praga, um contrato com a Atradius Dutch State Business que garante uma linha de crédito de 246,3 milhões de dólares para financiar a obra, que ficará a cargo da MCA como empreiteiro EPC.
Presente em Angola desde 2006, o grupo ergueu também o maior parque solar da África Subsariana, no Biópio (Benguela), com 188,8 MW e 256 milhões de euros investidos, e lançou um projecto de electrificação rural de 60 comunidades avaliado em 1.200 milhões de euros.
Por trás dos números, multiplicam-se as investigações. A Radio Angola revelou em 2025 que o grupo foi repetidamente beneficiado por ajustes directos milionários, incluindo 1,02 mil milhões de euros adjudicados em 2022 sem concurso público, questionando a transparência dos critérios de selecção. A MCA não respondeu ao pedido de contraditório.
O Maka Angola já apontava a MCA como um dos principais beneficiários da contratação simplificada no país, ligada a centrais fotovoltaicas no valor de 580 milhões de dólares. Mais grave: investigações da Polícia Judiciária e do Ministério Público português, noticiadas pela TVI, associam empresas do grupo — beneficiadas com contratos de 550 milhões de euros sem concurso — à oferta de uma casa de luxo na Ilha do Mussulo ao ex-ministro da Energia, João Baptista Borges.
Até hoje, a MCA não prestou esclarecimentos públicos detalhados sobre estas alegações, que resultam de investigações jornalísticas e não de condenações judiciais
Luanda Post
