A crise laboral entre os técnicos de manutenção de aeronaves e a administração da TAAG, Linhas Aéreas de Angola, agravou-se hoje, no terceiro dia de greve, após a companhia aérea ter anunciado que adoptou medidas alternativas para a continuidade dos voos, recorrendo a técnicos reformados para assegurar o funcionamento da transportadora.
Em causa está o impasse nas negociações relacionado com o pedido de aumento salarial acumulado de 100% até dezembro de 2027, contra os 20% propostos pela direcção da maior companhia pública aérea de Angola.
Os técnicos de manutenção de aeronaves da TAAG – Linhas Aéreas de Angola iniciaram, no dia 11 de outubro de 2026, o primeiro de quatro períodos de greve programados até Dezembro, após a administração da transportadora ter rejeitado a proposta de um aumento salarial de 100%, contrapondo com uma oferta de apenas 20%.
Segundo o líder do Sindicato dos Técnicos de Manutenção de Aeronaves (STMA) da TAAG, Joaquim Martins, os trabalhadores recusaram a contraproposta da tutela por considerarem que o valor não repõe o poder de compra e mantém uma disparidade em relação aos salários dos pilotos.
“Os técnicos de manutenção da TAAG reclamam um aumento salarial, porque acham que o custo de vida actual não satisfaz o valor que lhes é aferido no salário, de forma geral, além de outros problemas, do quanto ganha um piloto, um comandante”, disparou o sindicalista.
Em nota enviada à imprensa nesta segunda-feira, a TAAG – Linhas Aéreas de Angola anunciou que activou um plano de contingência, com a contratação de técnicos reformados, para garantir a operação de voos até ao final da greve, prevista para quinta-feira, 15 de outubro.
Em relação a medida adoptada pela transportadora, António Alberto, membro do sindicato, contesta por recorrer a reformados ao invés de negociar com os trabalhadores.
“Estão reformados. Já foram contratados temporariamente para garantir os trabalhos, a nossa preocupação é esta, é garantir que o avião tenha um visto bom, que se tenha a aprovação de um técnico qualificado. Estão reformados”, explicou.
A companhia aérea pública angolana garantiu a realização de 100% dos 37 voos programados no primeiro dia de greve, neste caso no domingo, sem registar qualquer cancelamento.
Para os restantes dias, a TAAG prevê cumprir entre 95% dos voos programados, com dois cancelamentos previstos por dia, ao abrigo de um plano de contingência.
RFI
