Camama: mais de 150 famílias denunciam destruição e incêndio de bens

Mais de 150 famílias vulneráveis, acolhidas desde 2025 pela empresa Konda Marta, acusam a Administração Municipal da Camama de ter destruído e incendiado, na sexta-feira, 14 de agosto, habitações precárias e diversos bens pessoais, incluindo roupas e alimentos.

Segundo relatos das famílias, citados pelo Club-K, a operação terá ocorrido numa área onde as vítimas estavam instaladas e terá deixado várias pessoas, incluindo idosos, sem abrigo e sem os seus pertences.

As vítimas atribuem a orientação da operação à administradora municipal da Camama, Claudineth Victária Damião Fragoso. De acordo com os relatos, a intervenção no terreno terá sido coordenada pelo administrador adjunto para a área técnica, Paciência Curinge, com a participação de efectivos da Polícia Nacional, alegadamente sob comando da inspectora Joana Audácia, comandante da Esquadra da Vila Kiaxi.

A operação terá contado igualmente com a intervenção de funcionários da fiscalização da Administração Municipal da Camama. As famílias alegam que foram utilizadas medidas coercivas para retirá-las do local.

Uma das testemunhas afirmou que responsáveis da administração municipal terão utilizado combustível para incendiar os bens das famílias. A acusação, contudo, não foi confirmada de forma independente.

EMPRESA CONTESTA ACTUAÇÃO DA ADMINISTRAÇÃO

A empresa Konda Marta acusa a Administração Municipal da Camama de ter actuado de forma irregular e levanta suspeitas sobre os motivos que terão estado na origem da intervenção.

A empresa sustenta ainda que a administração municipal teria procurado o apoio de funcionários do Instituto Geográfico e Cadastral de Angola (IGCA) para conferir legitimidade à operação. Estas alegações também não foram acompanhadas, no texto citado, de documentação ou de uma confirmação independente.

A Konda Marta faz igualmente referência a anteriores conflitos relacionados com a titularidade e ocupação de terrenos, mencionando uma antiga lista elaborada durante a gestão de Rosa Coelho, então administradora do extinto Distrito Urbano da Cidade Universitária.

PROCESSOS JUDICIAIS

O conflito ocorre num contexto de processos judiciais envolvendo o presidente do Conselho de Administração da Konda Marta.

Segundo a informação divulgada, o responsável deveria ter sido ouvido no dia 13 de agosto no Tribunal da Comarca de Belas, mas a audiência não se realizou devido à ausência de um procurador do Ministério Público.

Está prevista uma nova audiência para 21 de agosto, na 5.ª Secção dos Crimes Comuns do Tribunal da Comarca de Luanda, Palácio Dona Ana Joaquina. O processo está relacionado com acusações de calúnia e difamação, tendo como queixosos o então ministro do Interior, Eugénio Laborinho, o actual comandante-geral da Polícia Nacional, Francisco Ribas, e o presidente do Movangola, António Sawanga. Os factos remontam a 2023.

Club-K

Voltar ao topo