O consórcio formado pela Griner, Mercons e a Rushan Shuguang Cerveja Angola encontra-se em situação de incumprimento contratual face ao Estado angolano, após não ter honrado o pagamento da primeira prestação acordada com o Instituto de Gestão de Activos e Participações do Estado (IGAPE).
O acordo celebrado entre o consórcio e o Estado, assinado em finais de junho de 2025, estipulava o pagamento de uma primeira prestação no valor de 27 mil milhões de kwanzas, a ser liquidada no prazo de 45 dias após a assinatura do contrato.
Decorrido esse prazo, nenhum montante foi transferido para o IGAPE, colocando o consórcio em clara violação dos termos contratuais assumidos.
Promessa sem garantias concretas
Em declarações ao jornal Valor Económico, Krissne Dambi, representante do consórcio, garantiu que o valor em dívida será liquidado “dentro de 15 dias”. Contudo, o responsável não apresentou quaisquer garantias concretas sobre a origem ou fonte de financiamento que permitirá honrar o compromisso, alimentando dúvidas sobre a capacidade financeira efectiva do consórcio para cumprir as obrigações assumidas perante o Estado.
A unidade fabril, localizada no município do Cacuaco, opera actualmente em regime de moagem e embalagem, adquirindo clínquer a concorrentes como a Nova Cimangola e a F.C.K.S., já que os seus fornos permanecem inactivos.
A produção é ainda residual — cerca de 18 toneladas mensais — e destina-se essencialmente a pequenos revendedores das zonas adjacentes à fábrica, nomeadamente Zango, KM 30, Sequele e Cacuaco. Segundo Dambi, a recuperação dos fornos está em curso, com previsão de entrada em funcionamento do primeiro equipamento em Outubro de 2026. O segundo forno, além de consolidar a produção nacional, terá como meta o abastecimento do mercado de exportação.
O custo estimado para a reabilitação total ascende agora a 30 milhões de dólares — dez milhões acima do valor inicialmente projectado na avaliação do activo. Um sinal de que a recuperação da antiga unidade emblemática da indústria cimenteira nacional exigirá não só capital, mas também paciência por parte do sector e dos consumidores.
VE
