Candidata recusa assinar documento de renúncia

Lisboa – Volvidas 48 horas, a militante do MPLA Graciete Edine Dombolo Chivaca Sungua ainda não assinou a declaração oficial que atesta a sua desistência da candidatura ao cargo de Secretária-Geral da OMA. De acordo com apurações, a mesma recusa-se a assinar qualquer documento apesar de ter decido não desobedecer a vontade do líder

Crise interna no MPLA exposta pela recusa de Graciete Sungua

A reunião do BP do MPLA, em que foi obrigada a retirar-se da corrida, foi marcada por tensão. Inicialmente, a direção do partido havia confiado à vice-presidente Mara Quiosa a missão de conversar em separado com a candidata, de modo a persuadi-la a desistir da corrida, mas esta não teve argumentos suficientes para desmobilizar Graciete Sungua. Quando a direção do partido chegou à reunião, o líder João Lourenço, ao notar que as coisas não estavam a seguir o rumo planeado, teria chamado Mara Quiosa e Paulo Pombolo para manifestar desagrado, uma vez que não estava previsto que se chegasse ao ponto de, na presença de todos, terem de convencer a candidata a desistir. Mesmo assim, Graciete recusou-se a assinar a declaração de renúncia, apesar das ameaças de represálias.

O gabinete técnico do partido (também conhecido como célula do SINSE na sede do MPLA) foi igualmente responsabilizado por não ter antecipado o formato que a reunião do BP viria a assumir.

Para justificar a pressão sobre a candidata, o partido fez circular a narrativa de que a obrigaram a desistir por desconfianças de que, no congresso previsto para este ano, ela poderia orientar as mulheres da organização a votarem no pré-candidato Francisco Higino Lopes Carneiro.

Apesar de ter recusado assinar até ao fim a declaração de renúncia, a única atitude de Graciete Edine Dombolo Chivaca Sungua foi recorrer às redes sociais para agradecer às pessoas solidárias com a sua postura.

“Agradeço do fundo do meu coração, a todas e a todos pela força, pela coragem e pelo apoio sincero que me deram no momento da apresentação da minha candidatura ao cargo de Secretária-Geral da OMA e nos dias subsequentes. Cada palavra de incentivo e cada gesto de solidariedade marcaram profundamente este percurso”, escreveu.

Aceitando não lutar contra o líder do partido, a ex-candidata aproveitou ainda para desejar êxitos na realização do 8.º Congresso da OMA, afirmando esperar que o evento “continue a ser uma verdadeira festa de união e afirmação das mulheres angolanas”.

Concluiu a sua mensagem com um apelo à continuidade da luta coletiva: “Continuamos juntas, pela OMA, pelo MPLA e por Angola.”

Em reação às críticas e especulações, o porta-voz do MPLA, Esteves Hilário, afirmou que a retirada de Graciete Sungua da corrida à liderança da OMA foi uma decisão voluntária, enquadrada nas normas da democracia interna do partido, acrescentando que o Bureau Político validou a desistência sem obstáculos. Segundo Hilário, o processo eleitoral prossegue regularmente, passando a contar apenas com a candidatura de Emília Carlota Dias.

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