MAYRA COSTA SOBRINHA DA PRIMEIRA DAMA DE ANGOLA: A NOVA RAINHA DO “BANQUETE” DA CONSTRUÇÃO NO PAÍS?

Da criação da Carmon às grandes empreitadas públicas e, agora, à internacionalização com Omã, a empresária Mayra Isungi Campos Costa volta ao centro das atenções

A empresária Mayra Isungi Campos Costa, actual presidente do Conselho de Administração da Carmon Global, volta a ocupar o centro do debate empresarial angolano. A sua ascensão no sector da construção civil, as ligações familiares e empresariais que lhe são atribuídas e o histórico de denúncias envolvendo contratos públicos colocam novamente a Carmon sob escrutínio.

A nova fase surge num momento particularmente relevante: a Carmon assinou, em Luanda, um memorando de entendimento com a Al Daham Holding Group, do Sultanato de Omã, abrindo perspectivas de financiamento, investimento e expansão da empresa para o Médio Oriente e para os países do Conselho de Cooperação do Golfo. O acordo foi assinado em 18 de Setembro de 2026. (OPAÍS)

A própria Carmon apresenta Mayra Costa como PCA da Carmon Global. Segundo o perfil institucional da empresa, ela trabalhou na Sonangol entre 2004 e 2008, no sector imobiliário entre 2008 e 2021 e no Grupo BLT desde 2016. A empresa também informa que Mayra possui formação em Administração de Empresas em Londres e pós-graduação em Estudos Diplomáticos pela University of Westminster. (Carmon Global)

Mas a história da empresária não pode ser dissociada das controvérsias que, ao longo dos anos, envolveram a Carmon.

UMA EMPRESA QUE NASCEU COM GRANDES OBRAS

A Carmon foi fundada em 2007. De acordo com a história publicada pela própria companhia, a empresa nasceu como uma iniciativa do empresariado angolano vocacionada para a construção de pontes.

No ano seguinte, recebeu a sua primeira grande empreitada: a construção de oito pontes duplas no troço N’Zeto/Soyo, integrado no eixo Kifangondo–Caxito–N’Zeto–Soyo, na província do Zaire. A própria empresa descreve o projecto como uma das primeiras grandes etapas da sua expansão. (Carmon Global)

Entre 2011 e 2013, segundo a empresa, a Carmon avançou para outro projecto de grande dimensão: a reabilitação e construção de cinco pontes no eixo rodoviário Tômbwa/Namibe/Bentiaba/Lucira, incluindo a ponte sobre o rio Curoca, com 802 metros. (Carmon Global)

É precisamente em torno dessas grandes empreitadas que surgem algumas das denúncias mais graves apresentadas por fontes que afirmam ter entregue documentação a órgãos de comunicação social.

AS ACUSAÇÕES DE SUBFACTURAÇÃO

Segundo um empresário que afirma ter entregue documentos ao Jornal O Crime, a Carmon teria sido beneficiária de contratos públicos de grande dimensão e existiriam diferenças significativas entre determinados valores contratuais e os custos que, segundo essa fonte, seriam necessários para executar algumas das obras.

A denúncia menciona particularmente o projecto de construção das pontes do troço N’Zeto/Soyo e aponta valores superiores a 600 milhões de dólares relacionados com o projecto.

A mesma fonte sustenta que teriam ocorrido pagamentos adicionais através de mecanismos que considera irregulares e afirma que determinadas adendas contratuais teriam aumentado substancialmente o valor inicialmente previsto.

São acusações graves que, para serem apresentadas como factos, exigiriam confirmação através de contratos oficiais, auditorias, decisões judiciais ou outros documentos públicos verificáveis.

A Carmon, por sua vez, apresenta oficialmente a obra N’Zeto/Soyo como uma das primeiras grandes realizações da empresa e afirma ter construído oito pontes duplas, num total de 2.480 metros. (Carmon Global)

O PROJECTO DO NAMIBE

Outra frente citada nas denúncias é o projecto rodoviário Tômbwa/Namibe/Bentiaba/Lucira.

A própria Carmon confirma que participou na reabilitação e construção das pontes desse eixo rodoviário e destaca a ponte sobre o rio Curoca como uma das obras de referência da sua história. (Carmon Global)

Já a fonte citada na denúncia apresenta uma versão diferente sobre a dimensão financeira do projecto. Segundo essa fonte, teria existido uma diferença substancial entre o valor global do contrato e o montante pelo qual a Carmon teria sido subcontratada.

A denúncia afirma ainda que parte dos recursos teria sido movimentada através de contas no estrangeiro e posteriormente distribuída por diferentes jurisdições.

Estas afirmações permanecem, no entanto, como alegações atribuídas à fonte e não devem ser tratadas como factos comprovados sem documentação financeira ou decisões das autoridades competentes.

“UMA REDE DE INFLUÊNCIA”

O empresário ouvido pelo Jornal O Crime vai mais longe e acusa antigos responsáveis e parceiros empresariais de terem utilizado relações políticas para facilitar o acesso a contratos públicos.

A denúncia menciona ainda alegadas práticas de corrupção, branqueamento de capitais, tráfico de influência e associação criminosa.

São acusações particularmente graves. Até que sejam confirmadas judicialmente, devem ser tratadas como alegações constantes da denúncia, e não como crimes comprovados.

O mesmo cuidado deve ser aplicado às referências feitas a supostos “sócios fantasmas” e a alegadas transferências internacionais de recursos.

AS LIGAÇÕES À FAMÍLIA DOS SANTOS

A figura de Mayra Costa também aparece associada, em relatos publicados anteriormente, à família do antigo Presidente José Eduardo dos Santos.

As alegações apresentadas pelo denunciante relacionam Mayra a José Filomeno dos Santos, conhecido como Zenu, e procuram estabelecer uma relação entre essas ligações pessoais e a expansão empresarial da Carmon.

Da mesma forma, a alegada ligação familiar de Mayra Costa à actual primeira-dama, Ana Dias Lourenço, é uma informação que deve ser documentalmente confirmada antes de ser apresentada como facto jornalístico.

O ponto objectivamente verificável é que Mayra Costa ocupa actualmente uma posição de liderança na Carmon Global, segundo a própria empresa. (Carmon Global)

O “BANQUETE” E AS DENÚNCIAS SOBRE CONTRATOS PÚBLICOS

As denúncias também fazem referência ao programa televisivo “O Banquete”, da Televisão Pública de Angola, e a alegadas controvérsias envolvendo a Carmon.

O termo “banquete”, utilizado neste contexto, é uma caracterização jornalística presente nas denúncias e não uma conclusão judicial sobre a empresa.

Por isso, qualquer investigação séria sobre a Carmon deverá partir de perguntas objectivas:

Quanto dinheiro público foi efectivamente pago à empresa?

Quais foram os valores inicialmente contratados e quais foram os valores finais?

Que obras foram executadas, por que preço e com que nível de fiscalização?

Existiram adendas aos contratos?

Quem autorizou os pagamentos?

Foram realizadas auditorias independentes?

Houve processos judiciais ou procedimentos de recuperação de activos relacionados com esses contratos?

São essas respostas que poderão separar as acusações políticas e empresariais dos factos comprovados.

AGORA, A PORTA PARA OMÃ

Enquanto antigas denúncias continuam a alimentar o debate, a Carmon prepara uma nova etapa empresarial.

Em Agosto de 2026, o Ministério das Obras Públicas, Urbanismo e Habitação informou que o ministro Carlos Alberto dos Santos recebeu uma delegação do Al Daham Holding Group, liderada pelo Sheik Ali Said, para discutir oportunidades de investimento em habitação, estradas e pontes em Angola. (Ministério da Habitação)

Poucas semanas depois, Carmon e Al Daham formalizaram o memorando de entendimento.

Segundo a informação divulgada, a parceria deverá facilitar o acesso a financiamento, dinamizar investimentos nos projectos da Carmon e criar perspectivas de internacionalização da empresa para o Médio Oriente e países do Conselho de Cooperação do Golfo. (OPAÍS)

É, portanto, uma nova fase para uma empresa que começou em 2007 com obras de pontes e que hoje se apresenta como Carmon África, com operações em Angola, Portugal e São Tomé e Príncipe. (OPAÍS)

MAYRA COSTA, A NOVA “RAINHA DO BANQUETE”?

A expressão “Nova Rainha do Banquete” surge como uma provocação jornalística baseada no histórico de denúncias e no novo protagonismo empresarial de Mayra Costa.

Mas a pergunta central é outra: a internacionalização da Carmon representará apenas uma nova etapa empresarial ou também aumentará a necessidade de escrutínio sobre o passado da empresa e sobre a origem, execução e fiscalização dos contratos públicos que marcaram a sua ascensão?

A resposta dependerá dos documentos, das auditorias e das autoridades competentes.

Enquanto isso, Mayra Costa permanece no centro da nova estratégia da Carmon. E, com o acordo firmado com um grupo empresarial do Sultanato de Omã, a construtora angolana prepara-se para transformar a sua experiência acumulada em Angola numa plataforma de expansão internacional.

Da construção das pontes do Zaire à aproximação com o Golfo: a história da Carmon entra agora num novo capítulo — e Mayra Costa está no centro dele.

Lil Pasta News

Voltar ao topo