FADA mantém mais de 10 mil milhões de kwanzas sem rastreio no FertilizAngola

Os pareceres do auditor externo KPMG às contas do Fundo de Apoio ao Desenvolvimento Agrário (FADA), relativos aos exercícios de 2023, 2024 e 2025, apontam reservas motivadas por falhas de controlo e documentação no programa FertilizAngola, noticiou o Valor Económico.

Segundo o jornal, o saldo devedor ligado ao programa foi de 10,28 mil milhões de kwanzas em 2023, 10,16 mil milhões em 2024 e 10,17 mil milhões em 2025. A informação disponível não permitiria identificar os beneficiários em incumprimento, os respectivos planos de amortização, a maturidade dos contratos ou a capacidade efectiva de recuperação dos valores.

O programa foi criado para operacionalizar o apoio à campanha agrícola de 2021/2022, depois de o Presidente da República, João Lourenço, ter autorizado uma despesa de 17 mil milhões de kwanzas para a aquisição de fertilizantes no mercado nacional e internacional.

De acordo com a informação publicada, foram adquiridos fertilizantes NPK-12-24-12, sulfato de amónio e ureia, destinados sobretudo a produtores familiares, organizados ou não em cooperativas e associações. O FADA terá financiado 65% do valor global da aquisição, cabendo aos produtores o pagamento do diferencial.

Na altura, o então ministro da Agricultura e Pescas, António de Assis, afirmou que a subvenção procurava facilitar o acesso dos produtores, em especial os da agricultura familiar, aos insumos agrícolas, num contexto de dificuldades associadas a fenómenos climáticos e pragas.

Ainda segundo o Valor Económico, a KPMG registou a inexistência de procedimentos e registos de controlo interno que permitissem determinar a quantidade exacta de fertilizantes comprada, armazenada e entregue aos produtores. A auditoria referiu também que, apesar de a administração do FADA alegar ter constituído uma equipa para reconciliar os dados, até Abril de 2026 não teria sido disponibilizada informação fiável sobre os créditos.

O jornal acrescenta que o FertilizAngola não é conhecido por associações de agricultores e agrónomos e que a informação sobre a iniciativa consta, essencialmente, dos relatórios e contas do FADA.

As questões levantadas exigem esclarecimentos do FADA e das entidades competentes, nomeadamente sobre a identificação dos beneficiários, a recuperação dos créditos e o destino dos fertilizantes adquiridos no âmbito do programa.

Diário dos Negócios 

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