Sonangol vende participação em bloco petrolífero à empresa de António Mosquito sem revelar valor do negócio

A petrolífera estatal reduziu a sua posição num dos activos offshore mais recentes de Angola, numa operação que reforça a participação da Falcon Oil Holding Angola, do grupo liderado pelo empresário António Mosquito. Apesar de envolver um projecto recentemente valorizado por investimentos de centenas de milhões de dólares, o montante pago pela participação não foi divulgado.

A Sonangol Exploração e Produção (Sonangol E&P) foi autorizada pelo Governo angolano a vender 5% da sua participação no Bloco 17/06 à Falcon Oil Holding Angola, empresa do grupo liderado pelo empresário António Mosquito, numa transacção que levanta questões sobre transparência devido à ausência de divulgação do valor envolvido.

Com a operação, a Falcon Oil duplica a sua posição no activo petrolífero, passando de 5% para 10%, enquanto a Sonangol reduz a sua participação de 30% para 25%. A TotalEnergies EP Angola Block — operadora do bloco — mantém uma posição de 30%, seguindo-se a SSI Seventeen Limited, com 27,5%, e a Etu Energias, com 7,5%.

Apesar da alteração accionista envolver um activo considerado estratégico e que entrou recentemente numa nova fase de produção, o valor pago pela Falcon Oil à petrolífera estatal não foi tornado público.

A falta de divulgação do montante acontece num momento em que o Bloco 17/06 começa a beneficiar dos investimentos realizados nos últimos anos. Dados operacionais da Sonangol indicam que o bloco produziu cerca de 859 mil barris em 2025, ano em que arrancou a produção comercial, representando aproximadamente 1,3% da produção anual da petrolífera nacional.

A relevância do activo está associada sobretudo ao projecto Begónia, um dos desenvolvimentos mais recentes do sector petrolífero angolano. O projecto, que iniciou produção em Julho de 2025, acrescentou cerca de 30 mil barris por dia à capacidade do FPSO Pazflor, localizado no Bloco 17, após um investimento estimado em cerca de 850 milhões de dólares.

Venda ocorre após investimentos e entrada em produção

A transacção acontece numa fase em que o Bloco 17/06 passou de projecto em desenvolvimento para activo produtor. O campo Begónia permitiu iniciar a exploração através do aproveitamento de infra-estruturas já existentes, reduzindo custos e acelerando a entrada em produção.

O modelo adoptado evitou a construção de uma nova unidade de produção, recorrendo à ligação submarina de cinco poços às instalações existentes do FPSO Pazflor, uma solução apresentada pelos operadores como mais eficiente e com menor intensidade de investimento.

Ainda assim, a decisão da Sonangol de reduzir a sua posição após a valorização operacional do activo coloca dúvidas sobre a estratégia de gestão do portefólio da petrolífera estatal, sobretudo pela ausência de informação pública sobre os critérios de avaliação da participação vendida.

Optimização de portefólio ou perda de exposição?

Nos últimos anos, a Sonangol tem alienado participações em vários activos petrolíferos como parte de uma estratégia de optimização da carteira e redução de exposição financeira, permitindo a entrada de novos investidores e a partilha dos custos de desenvolvimento.

No entanto, ao contrário de outras operações, a venda de parte do Bloco 17/06 apresenta uma particularidade: envolve um activo novo, que iniciou recentemente produção e que beneficiou de um modelo de baixo custo através do aproveitamento de infra-estruturas existentes.

Sem a divulgação do valor da operação, permanecem dúvidas sobre quanto recebeu a petrolífera estatal pela redução da sua participação e quais os critérios utilizados para avaliar um activo que começa agora a gerar produção.

Voltar ao topo