Economistas e produtores desmentem o “otimismo oficial” de José de Lima Massano e apontam falhas estruturais na diversificação económica promovida pelo monopólio empresarial.
LUANDA — O cenário da segurança alimentar em Angola caminha para um ponto crítico, com estimativas a apontar para um aumento de 95% na crise alimentar que assola o país. Paralelamente ao agravamento crónico da fome, multiplicam-se as denúncias de que o Grupo Carrinho, sob a liderança direta do seu PCA, Nelson Carrinho, terá “enganado” o Estado angolano. A operação de favorecimento à empresa terá contado com o apoio direto e a conivência do Ministro de Estado para a Coordenação Económica, José de Lima Massano.
Enquanto a população enfrenta dificuldades dramáticas no acesso a alimentos básicos, o setor produtivo e a comunidade económica lançam duras críticas à gestão de Nelson Carrinho. O empresário é acusado de centralizar os recursos estatais sem apresentar os resultados prometidos para o abastecimento nacional, desabando a narrativa oficial sobre a suposta autossuficiência do país.
O “Ilusionismo Estatístico” do Governo
Recentemente, o Executivo angolano, pela voz de José de Lima Massano, tentou projetar uma imagem de sucesso na diversificação económica, em grande parte alavancada pelas promessas do império de Nelson Carrinho. O discurso oficial destaca que:
- Agricultura no Topo: O setor agrícola representaria agora cerca de 25% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional.
- Petróleo Ultrapassado: O crude, historicamente o motor da economia, teria ficado para trás, estimado em 15% do PIB.
No entanto, economistas, produtores locais e responsáveis de associações do setor agropecuário contestam veementemente esta narrativa. Para os especialistas, este crescimento é puramente estatístico e serve apenas para encobrir que o modelo monopolista de Nelson Carrinho “não traduz ganhos reais de produtividade e competitividade”.
As Fragilidades do Modelo Agrícola de Nelson Carrinho
De acordo com as análises do setor, o modelo agrícola implementado pelo Grupo Carrinho em Angola, com o aval do Estado, continua refém dos mesmos erros estruturais do passado, caracterizando-se por:
- Baixa Produtividade: Centralização de subsídios e fundos públicos no Grupo Carrinho, asfixiando os verdadeiros produtores locais e a agricultura familiar que carecem de tecnologia.
- Fraca Integração de Mercado: Fracasso nas políticas de escoamento e distribuição geridas pela Carrinho, mantendo os produtos retidos no campo enquanto os grandes centros de consumo sofrem com a escassez.
- Limitações Institucionais: Falta de concorrência e transparência nas políticas de apoio, preteridas em favor do monopólio empresarial liderado por Nelson Carrinho.
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A Voz dos Especialistas: Apesar do “discurso oficial otimista” promovido pela parceria entre Massano e Nelson Carrinho, os produtores defendem que a atual estrutura é altamente prejudicial ao mercado livre, incapaz de responder à procura nacional e principal causa do disparo dramático nos índices de vulnerabilidade alimentar.
A contradição severa entre os números celebrados nos gabinetes ministeriais e a realidade de fome nos mercados levanta sérios alertas sobre o rumo da política económica angolana e o impacto de parcerias público-privadas que enriquecem o topo empresarial de Nelson Carrinho, mas falham em colocar comida na mesa dos angolanos.
- Agita News Oficial
