**Caso russos: Jornalistas arrolados no processo começam a ser ouvidos esta sexta-feira — Igor Ratchin diz ter pago a dirigente do MPLA para conseguir visto de trabalho**

O Tribunal da Comarca de Luanda (TCL) começa esta sexta-feira, 29, a interrogar os cinco jornalistas, constituídos como declarantes no mediático julgamento do “caso russos”, após ter ouvido, na quarta-feira, em interrogatório, cinco outros declarantes no processo, apurou o Novo Jornal.

Estes jornalistas, quatro de órgãos privados e um de um órgão público, foram arrolados declarantes pelo Ministério Público (MP) no âmbito do processo-crime por constarem numa lista de pagamentos supostamente feito pelo jornalista da Televisão Pública de Angola (TPA), o arguido Amor Carlos Tomé.

Segundo a acusação, Amor Carlos Tomé terá recrutado estes jornalistas para manipular a opinião pública, acusação que, no seu depoimento, o arguido rejeita.

A acusação diz que estes jornalistas prestavam serviços ao arguido em troca de recebimento de vantagens, para criar notícias falsas sobre o Governo angolano.

No seu depoimento, assistido pelo Novo Jornal, o arguido Amor Carlos Tomé negou que contratava jornalistas e órgãos de comunicação privados, assim como sites de notícias, para difundir informações manipuladas com o fim único de criar instabilidade e insegurança no País, como descreve a acusação.

Em tribunal, o jornalista disse que nunca fez parte de qualquer associação criminosa e os cidadãos russos nunca lhe falaram de financiamento ao terrorismo, espionagem ou qualquer coisa que fosse ilícita ou lesasse a Estado angolano.

Aos juízes contou que foi contratado pelo cidadão russo Lev Matvevoch, a quem prestava serviço de assessoria de imprensa, pois o cidadão russo pretendia saber mais sobre Angola, sua cultura e hábitos.

Quanto aos nomes de jornalistas com os respectivos valores encontrados no seu computador, o arguido disse ter feito essa lista de forma hipotética para futuras parcerias no âmbito da comunicação institucional sobre as notícias que fariam sobre a casa da cultura da Rússia que abririam.

“Fiz uma lista hipotética de órgãos e dos jornalistas com quem pretendia contar na cobertura do evento”, afirmou o arguido, negando o envolvimento de qualquer jornalista no processo em julgamento.

Entretanto, o tribunal voltou, esta semana, a colher o depoimento do arguido russo Igor Ratchin, sobre vários pagamentos que terá feito a muitas pessoas no País, tendo este confirmado que terá feito o pagamento de mais de dois milhões de kwanzas a um dirigente do MPLA, para que ele o ajudasse a conseguir visto de trabalho em Angola junto dos órgãos competentes.

Em tribunal, os arguidos russos Lev Lakshtanov e Igor Ratchin, assim como os angolanos Amor Carlos Tomé e Oliveira Francisco “Buka”, negam todas as acusações.

O MP acusa-os de espionagem, terrorismo, organização terrorista, financiamento ao terrorismo, instigação pública ao crime, associação criminosa, corrupção activa de funcionário, tráfico de influência, falsificação de documentos, introdução ilícita de moeda estrangeira no país e retenção de moeda e burla.

Novo Jornal 

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