A Procuradoria-Geral da República de Portugal está a dar andamento a duas cartas rogatórias remetidas pela justiça angolana, no âmbito do processo que envolve o empresário Ricardo Leitão Machado, familiar do ministro da Presidência português, António Leitão Amaro.
As buscas e diligências decorreram semana passada, três meses após a chegada dos documentos a Lisboa.
O caso tem como pano de fundo o contrato firmado entre o Governo angolano e a empresa Aenergy, propriedade de Ricardo Leitão Machado, para o fornecimento e operação de 13 centrais termoeléctricas em território nacional, com financiamento da GE Capital, no montante de 940 milhões de euros.
À época, a Aenergy chegou a facturar cerca de 420 milhões de euros e tinha ao seu serviço quase 500 trabalhadores.
Com a transição política que levou João Lourenço à liderança do país, o Executivo angolano levantou suspeitas sobre a conduta da empresa, apontando irregularidades na gestão do contrato. Em concreto, as autoridades acusam a Aenergy de ter tentado vender em duplicado quatro turbinas adicionais, sem dispor de autorização válida para o efeito.
Perante a situação, o empresário saiu de Angola em direcção a Portugal, onde permanece até hoje, sem ter regressado ao país.
Em declarações à imprensa portuguesa, Ricardo Leitão Machado disse estar a ser alvo de acusações de fraude por parte do Governo angolano e afirmou encontrar-se em litígio judicial com Luanda.
As autoridades angolanas prosseguem com o processo e aguardam respostas da justiça portuguesa para fazer avançar as investigações.
Expresso
