A ATL-Alfa – Transporte e Logística, Lda., empresa ligada ao grupo Silvestre Tulumba, assegurou em Janeiro deste ano parte do contrato de abastecimento alimentar das Forças Armadas Angolanas (FAA) — apenas cinco meses após a sua constituição.
A entrada da empresa pôs fim à exclusividade que vigorava desde 2023, partilhando agora o fornecimento com o operador anterior.
Segundo o Confidence News, a adjudicação foi feita por via directa, mecanismo legal previsto na lei angolana, mas frequentemente alvo de debate quando aplicado em sectores estratégicos.
Até ao momento, o Executivo não apresentou publicamente os critérios técnicos que sustentaram a escolha do novo operador. Ainda no final de 2025, o grupo A.S. Tulumba – Investimentos e Participações, Lda. foi formalmente integrado no pacote logístico das FAA, também por adjudicação directa, reforçando a presença do grupo num dos contratos mais sensíveis do Estado angolano.
Fontes do sector indicam que, embora o grupo possua unidades de empacotamento, não é conhecida experiência consolidada na produção e distribuição alimentar em larga escala. Especialistas sublinham que contratos desta natureza exigem cadeia logística integrada, capacidade de armazenamento, transporte contínuo e previsibilidade operacional — factores considerados críticos para evitar ruturas no abastecimento militar.
Paralelamente, o grupo Tulumba foi beneficiado com financiamento directo do Fundo Soberano de Angola (FSDEA). A operação é considerada atípica por alguns observadores, uma vez que este tipo de apoio é geralmente reservado a projectos com elevado grau de maturidade técnica e impacto estruturante claramente definido. Os detalhes do projecto apoiado e os critérios que fundamentaram a decisão não foram tornados públicos.
Fontes empresariais referem que Silvestre Tulumba mantém proximidade com círculos centrais do poder político, incluindo com o Presidente da República, João Lourenço. Embora essa proximidade não configure ilegalidade, analistas consideram que a sucessão de contratos estratégicos atribuídos por adjudicação directa a empresários ligados ao poder político alimenta um debate recorrente sobre transparência e concorrência em Angola.
Académicos e economistas da sociedade civil têm criticado o modelo de concentração de negócios públicos em grupos próximos do poder, argumentando que tal prática pode limitar a concorrência, reduzir a transparência e fragilizar a confiança no mercado.
