dívida pública angolana ultrapassou os 68 mil milhões de dólares em 2025, num crescimento que preocupa não apenas pelo volume, mas pela sua composição: o país está a trocar dívida bilateral — mais flexível e negociável — por dívida comercial e de mercado, tipicamente mais rígida e onerosa.
O stock total fixou-se em 68,163 mil milhões de dólares, um aumento de 8,8% face aos 62,609 mil milhões registados em 2024. O principal motor deste crescimento foi a dívida externa, que subiu de 47,910 para 49,568 mil milhões de dólares, impulsionada sobretudo pela dívida governamental, que passou de 45,737 para 47,420 mil milhões de dólares.
Quem são os principais credores?
O mapa dos credores de Angola mudou significativamente. Os credores internos passaram a ser o principal credor do país, representando cerca de 28% do stock da dívida, seguidos do Reino Unido, com 22%, enquanto a China passou para a terceira posição, com 19% — depois de deter 34% da dívida angolana em 2020. 
É no Reino Unido que se encontram hoje os maiores credores externos de Angola: essencialmente investidores de Eurobonds e instituições bancárias, com uma exposição que já ultrapassa os 15 mil milhões de dólares. 
Quanto à China, o recuo é assinalável.
A dívida colateralizada com Pequim caiu de 16,3 mil milhões de dólares em 2020 para cerca de 7,3 mil milhões em 2025, deixando de ser um elemento de pressão na gestão da dívida pública. No plano comercial, os maiores credores individuais continuam a ser o Banco de Desenvolvimento da China e o Banco Industrial e Comercial da China, seguidos do Standard Chartered.
E a dívida interna?
Em 2024, a dívida governamental era composta em 77% por dívida externa e 23% por dívida interna, sendo o serviço total da dívida de quase 14 biliões de kwanzas — cerca de 15,4 mil milhões de euros. A componente interna tem crescido de peso, com o mercado doméstico a ganhar protagonismo na estratégia de financiamento do Estado.
- A mudança na estrutura da dívida é o sinal mais relevante: entre 2021 e 2025, Angola reduziu o rácio da dívida pública sobre o PIB de 69% para 50,5% , uma melhoria significativa — mas à custa de uma exposição crescente aos mercados financeiros internacionais, onde as condições são menos previsíveis.
