Especialistas pedem investigação detalhada sobre mortes de parlamentares da UNITA

Nos últimos anos, a UNITA tem registrado uma série de falecimentos de deputados e líderes históricos, incluindo Monteiro Eliseu, Victorino Nhany, Raul Danda, Vicente Vihemba e Diamantino Mussokola. A sucessão de mortes levanta preocupação sobre opacidade institucional e a necessidade de esclarecimento público sobre as circunstâncias que cercam esses óbitos.

O caso do deputado Monteiro Eliseu, falecido este domingo, 29, no Hospital Geral do Huambo, oficialmente por doença, gerou suspeitas entre familiares. Bibi Monteiro, irmão do parlamentar, afirmou que há suspeitas de possível envenenamento, embora sem provas apresentadas. Este episódio reacende o debate sobre a transparência em mortes de figuras políticas de destaque.

O cientista político Eurico Gonçalves alerta que tais perdas devem ser analisadas com “elevação institucional e prudência estratégica”. Segundo ele, “no plano humano representam perdas irreparáveis e, no plano político, criam inevitáveis reconfigurações internas, afectando a memória organizacional, a coesão e a capacidade de mobilização”. Gonçalves acrescenta que, “para o país, mais do que a filiação partidária, essas perdas exigem uma consciência colectiva, porque a estabilidade democrática depende de instituições fortes, não apenas de individualidades. O momento pede unidade, respeito e reforço da cultura política baseada na responsabilidade e continuidade”.

Um politólogo que preferiu falar sob anonimato complementa: “Não é bom para o país perder quadros que pensam e actuam em benefício da população. Monteiro Eliseu acompanhava dezenas de projectos sociais na província do Huambo, incluídos no orçamento, mas cujo cumprimento nunca se efectivou. A falta de clareza sobre as causas dessas mortes deixa lacunas perigosas para a estabilidade política”.

Entre os outros membros da UNITA recentemente falecidos destaca-se Rui Galhardo, Kaciky Pena, Kolela, Paulo e General Antonino, evidenciando um histórico de perdas consecutivas que impacta a coesão interna e a continuidade da memória institucional da UNITA.

Especialistas e familiares pedem uma investigação detalhada e transparente, não apenas para apurar causas, mas também para proteger líderes activos garantindo a estabilidade do partido e do cenário político nacional.

A UNITA, por sua vez, expressa profundo pesar e lembra Monteiro Eliseu como defensor incansável da democracia e dos interesses do povo angolano, destacando seu legado de dedicação e coragem, enquanto o país acompanha com atenção os desdobramentos sobre as mortes que têm marcado a formação política.

Correio da Kianda 

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