TAAG sob críticas após contratação de chefe de divisão com salário de 3.237.794 kwanzas

A TAAG – Linhas Aéreas de Angola está a ser alvo de críticas internas após a contratação de Elson Mauro Galiano Gomes para o cargo de Chefe de Divisão de Aquisição de Talento, afeto a Direcção de Desenvolvimento e Estratégia de Capital Humano e Cultura Organizacional, sediada no edifício One Metropolis/AIAAN, em Luanda.

Segundo fontes do Imparcial Press, Elson Gomes foi contratado por iniciativa da administradora para o pelouro Jurídico e Capital Humano, Neide Teixeira, e da directora de Estratégia e Desenvolvimento de Capital Humano e Cultura Organizacional, Tânia Marques, passando a exercer funções ao abrigo de uma Comissão de Serviço, conforme estipulado na cláusula 2.ª do seu contrato.

O que tem gerado maior controvérsia é o valor da remuneração acordada. O contrato estabelece um salário mensal de 3.237.794,57 kwanzas, montante significativamente superior ao previsto na grelha salarial em vigor para trabalhadores nacionais no cargo de Chefe de Divisão.

De acordo com essa tabela, o vencimento base situa-se em cerca de 1.700.000 kwanzas, podendo atingir 2.179.221,76 kwanzas no caso dos quadros mais antigos e, em situações excepcionais, até 2.500.000 kwanzas para alguns beneficiados por decisões administrativas em pelouros estratégicos.

Fontes da companhia consideram que a nova remuneração ultrapassa largamente os limites normalmente aplicados para o nível funcional em causa, levantando suspeitas de tratamento preferencial e de violação dos princípios de equidade interna e disciplina financeira, num momento em que a transportadora aérea enfrenta constrangimentos económicos e processos de reestruturação.

O contrato de Elson Gomes prevê ainda que, terminado o período da Comissão de Serviço, o trabalhador será integrado nos quadros da empresa com a função de técnico e contrato por tempo indeterminado, independentemente da duração ou do desempenho no cargo de chefia, o que também está a ser visto como uma garantia considerada excessiva por alguns funcionários.

As suas atribuições incluem a análise de indicadores de clima organizacional, condução de inquéritos de satisfação, desenvolvimento de indicadores de desempenho (KPIs), produção de relatórios estratégicos e propostas de medidas de retenção de talentos.

Para vários observadores internos, a contratação, nos moldes em que foi realizada, contrasta com o discurso público de racionalização de custos, meritocracia e transparência defendido pela actual administração da TAAG, reacendendo o debate sobre práticas de gestão de recursos humanos na companhia aérea nacional.

O Imparcial Press apurou que a administradora do pelouro Jurídico e Capital Humano, Neide Teixeira, e Elson Gomes já trabalharam juntos na Refriango, circunstância que, segundo fontes internas, poderá ajudar a explicar as condições salariais excepcionais atribuídas ao novo quadro (desde Julho de 2025) da TAAG.

Imparcial Press 

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