Pressão do GAFI abre caminho a investigações na Sonangol

As autoridades angolanas poderão alargar o cerco investigativo à Sonangol por suspeitas de eventuais crimes financeiros, na sequência das recentes condenações no mediático caso da Administração Geral Tributária (AGT), apurou o Correio da Kianda junto de fontes ligadas ao sector. A petrolífera estatal, pedra angular da economia nacional, poderá ser um dos próximos focos, caso os indícios preliminares evoluam para matéria criminal.

Fontes próximas ao processo admitem que, após o precedente aberto com o caso AGT, “é natural que outros dossiês ligados à gestão financeira pública sejam revisitados”, sobretudo em sectores onde circulam grandes volumes de recursos. A Sonangol, frequentemente descrita como a “galinha dos ovos de ouro” da economia angolana, enquadra-se precisamente nesse perfil.

O reforço das investigações decorre também de pressão externa. Relatórios internacionais têm apontado a necessidade de Angola aumentar confiscos, investigações, condenações e aprofundar o controlo sobre sectores sensíveis — incluindo empresas públicas e organizações sem fins lucrativos. Desde que o país entrou para a lista de monitorização reforçada do GAFI, em Outubro de 2024, a exigência de resultados concretos não tem cessado.

A necessidade de apresentar processos autónomos de branqueamento de capitais tornou-se um dos pilares da estratégia nacional para convencer o organismo internacional de que Angola está a melhorar a eficácia do seu sistema de prevenção e combate ao crime financeiro. O prazo para a saída da chamada “lista cinzenta” está fixado em Janeiro de 2027.

Correio da Kianda 

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