A Mota-Engil já foi selecionada para fazer a extensão da linha ferroviária a partir da fronteira de Angola com a República Democrática do Congo (RDC), que depois fará a ligação ao corredor do Lobito, cumprindo assim as exigências colocadas pelos Estados Unidos para financiar o projeto de que o contrato de EPC (Engineering, Procurement and Construction) fosse entregue ao grupo português. O contrato, que vai representar perto de mil milhões de dólares (cerca de 860 milhões de euros), deverá ser fechado em meados deste ano.
Foi ainda em dezembro que a Development Finance Institution (DFC) anunciou ter emitido uma carta de intenções à Mota-Engil, indicando a sua disponibilidade para financiar a reabilitação e operação da linha ferroviária Dilolo-Sakania na RDC -, abrindo o caminho para a construtora portuguesa garantir a adjudicação da obra Dikolo é uma localidade na RDC que se situa na fronteira com Angola, enquanto Sakania é uma cidade próxima das regiões mineiras do Katanga.
Na altura a instituição financeira norte-americana salientava que “estes projetos propostos refletem o objetivo da Administração [Trump] de diversificar e reforçar as cadeias de abastecimento globais de materiais críticos e apoiar o crescimento económico”. “Ao promover o abastecimento transparente e os mercados competitivos, a DFC ajuda a reduzir a dependência de canais de abastecimento concentrados ou pouco fiáveis, permitindo que as indústrias dos EUA acedam a matérias-primas mais estáveis e seguras, vitais para o crescimento económico e a segurança nacional da América”, acrescentava.
A concessão do troço congolês do corredor do Lobito, concebido como uma parceria público-privada (PPP), vai permitir ligar a região de Katanga, rica em minerais, ao porto atlântico de Lobito, em Angola Esta extensão é considerada determinante para assegurar a viabilidade económica alongo prazo da concessão mas também garantir cadeias de abastecimento de minerais aos EUA sem provocar disputas legais com grandes empresas mineiras privadas que têm contratos de longa data com compradores e operadores chineses.
De acordo com a agência de informação económica africana Ecofin, os compromissos de financiamento parecem suficientes para cobrir os 1,1 mil milhões de dólares estimados necessários para a reabilitação do troço Dilolo- Sakania e a sua extensão até à fronteira com a Zâmbia. É que para além da contribuição de mil milhões de dólares da DFC, o Banco Europeu de Investimento indicou um apoio de 500 milhões de euros, enquanto o Banco Mundial está preparado para disponibilizar outro tanto.
Segundo noticiou já a Africa Finance Corporation (AFC), que está a impulsionar a expansão para a Zâmbia, confirmou recentemente que as negociações em torno do contrato de EPC estão numa fase avançada, sugerindo que a mobilização técnica poderá começar logo após o fecho do financiamento.
A Mota-Engil integra, com a Trafigura e a Vecturis, o consórcio Lobito Atlantic Railway (LAR), que detém a concessão do troço angolano desde 2022 por um prazo de 30 anos. O agrupamento tem previsto atingir uma frequência diária de até 50 comboios, essencialmente dedicados ao transporte de carga como minério de cobre proveniente da República Democrática do Congo e da Zâmbia.
Jornal de Negócios
