Ministério Público acusa jornalista Amor Carlos Tomé de terrorismo por textos sobre greve dos taxistas

Luanda – O jornalista angolano Amor Carlos Tomé, detido desde agosto de 2025, está a ser acusado pelo Ministério Público de crimes graves, incluindo terrorismo, espionagem e organização terrorista, num processo que envolve ainda dois cidadãos russos e um dirigente juvenil da UNITA. A acusação sustenta que o jornalista teria desempenhado um papel central numa alegada operação de desestabilização do Estado com vista a um golpe de Estado contra o Presidente João Lourenço.

distúrbios, foi apresentada publicamente pelas associações como uma suspensão de serviços e incluiu apelos explícitos à população para permanecer em casa e evitar deslocações durante os dias de paralisação.

Ainda assim, dirigentes associativos e o jornalista são responsabilizados criminalmente por atos de violência praticados por terceiros, num contexto de ausência de transportes públicos. O despacho não esclarece de forma objetiva o nexo causal entre os textos publicados e os atos de vandalismo registados.

Liberdade de imprensa em causa

O caso levanta preocupações no que toca à liberdade de imprensa em Angola, ao classificar como terrorismo a produção de textos jornalísticos que descrevem factos públicos e antecipam tensões sociais. Observadores consideram que a acusação confunde reportagem, análise e opinião com instigação criminosa, sem demonstrar dolo específico ou apelos diretos à violência.

A segunda parte da análise do caso deverá incidir sobre a alegada “missão” atribuída a Amor Carlos Tomé no recrutamento de jornalistas e produção de conteúdos no âmbito do suposto plano de golpe de Estado.

O processo segue agora para apreciação judicial, sendo no tribunal que será avaliada a consistência das provas e a conformidade da acusação com os princípios do Estado de Direito.

Maka Angola

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