A República de Angola registou, no presente ano económico de 2025, um aumento no número de milionários. De acordo com dados da Henley & Partners – uma das mais prestigiadas consultoras internacionais em matéria de finanças, cidadania e residência – o país passou de 2.250 milionários em 2024 para 2.300 em 2025, ou seja, mais 50 pessoas com fortunas superiores a um milhão de dólares norte-americanos.
Apesar do crescimento, o número de centimilionários (indivíduos com património acima dos 100 milhões de dólares) manteve-se inalterado em seis. Por outro lado, Angola continua sem registar qualquer bilionário. No ranking continental, o país ocupa a 11.ª posição entre os Estados africanos com mais milionários, mas a sua capital, Luanda, não figura entre as cidades mais ricas de África.
Se, para alguns sectores, o aumento de milionários pode ser interpretado como sinal de progresso económico, para outros especialistas traduz-se num alerta quanto ao agravamento das desigualdades sociais. Em declarações ao Polígrafo África, o economista e antigo ministro da Economia e Planeamento, Manuel Neto Costa, advertiu que o fenómeno pode representar “um alargamento da desigualdade do ponto de vista do rendimento per capita”, sublinhando que estes novos milionários poderão ter ficado com “uma maior fatia do bolo em relação a outros cidadãos”.
Na mesma linha, o também economista e antigo secretário de Estado para o Investimento Público, Mário Rui Pires, estabelece um paralelismo com o aumento da pobreza no país. Sublinha que, à medida que cresce o número de milionários, também se verifica uma subida da população em situação de carência extrema. Recorda, a propósito, que o Índice Mundial de Pobreza, publicado anualmente pelo Banco Mundial, indica que a pobreza extrema em Angola aumentou 82% entre 2015 e 2025, passando de 6,4 para 11,6 milhões de pessoas.
Embora os dados da Henley & Partners apontem para um crescimento no número de milionários entre 2024 e 2025, Mário Rui Pires lembra que, em comparação com 2015, o país perdeu 500 milionários. Nessa altura, havia cerca de 2.800 pessoas com fortunas superiores a um milhão de dólares.
Já a questão do baixo rendimento per capita – indicador que mede a produção económica média de um país por habitante – tem sido recorrente no debate público. Em Março deste ano, o presidente da UNITA, Adalberto Costa Júnior, ironizou, numa publicação no Facebook, que esta seria a “herança dos 50 anos de independência”. Na mesma publicação, mais tarde verificada pelo Polígrafo África, o líder da oposição sublinhou que Angola não consta no top 10 dos países africanos com maior PIB per capita, lista que é liderada pelas Ilhas Seicheles, país que, em contraste, contabiliza apenas 500 milionários.
Polígrafo África