Angola está diante de mais um retrato cruel da sua realidade política: o Estado pede sacrifícios ao povo, mas o poder vive em camarotes de luxo.
A polémica viagem empresarial ligada a César Sousa, esposo da ministra das Finanças Vera Daves, para assistir ao jogo entre o Real Madrid e o Benfica, em Lisboa, tornou-se símbolo de uma governação desligada da dor do povo e colada ao luxo obsceno.
Enquanto hospitais não têm medicamentos, professores protestam por salários e famílias sobrevivem com migalhas, milhões de euros são associados a viagens de elite, camarotes VIP, hotéis de luxo e convidados selecionados, tudo sob o silêncio cúmplice do Executivo.
Mais grave do que o luxo é o cheiro a conflito de interesses que envolve o caso. Circulam denúncias persistentes sobre relações privilegiadas entre negócios privados e o poder público, levantando suspeitas de que o Estado pode estar a ser usado como trampolim para enriquecimento de círculos familiares do regime.
O que deveria ser um simples evento desportivo transformou-se num escândalo político, expondo a face mais crua de um sistema onde a austeridade é para o povo e a abundância é para a elite.
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