O nome de Rifen Amílcar Fernandes Miguel, filho do empresário angolano Henrique Miguel e CEO da chamada Fundação M3M, surge agora associado a detenções policiais, processos judiciais e denúncias graves de burla no estado da Flórida, segundo documentos oficiais das autoridades norte-americanas analisados pelo Agita News.
Registos judiciais dos condados de Pinellas, Orange e Hillsborough confirmam que Rifen Miguel esteve sob custódia policial em mais de uma ocasião, figurando num dos processos por furto de segundo grau (petit theft), infração criminal enquadrada como contravenção, sob jurisdição do Departamento de Polícia da cidade de Ocoee. As autoridades fixaram caução, permitindo a libertação provisória do arguido enquanto o processo segue em tribunal.
FUNDACÃO OU FACHADA? ALEGAÇÕES DE ESQUEMA INTERNACIONAL
Para além dos processos formais nos EUA, Rifen Miguel é alvo de múltiplas acusações de burla feitas por famílias e jovens atletas africanos, sobretudo de Angola e Nigéria, que afirmam ter sido enganados por um esquema bem montado, travestido de fundação desportiva e educacional.
De acordo com denúncias recolhidas pelo Agita News, o responsável da Fundação M3M terá exigido pagamentos elevados, que em alguns casos ultrapassam dezenas de milhares de dólares, prometendo acesso privilegiado a bolsas de estudo em escolas secundárias, colégios e universidades norte-americanas, especialmente no circuito do basquetebol juvenil.
Na prática, segundo as vítimas, as promessas nunca se materializaram. Jovens atletas ficaram retidos, oportunidades desapareceram e o dinheiro nunca foi devolvido. Há relatos consistentes de que, após o recebimento dos valores, o contacto com Rifen Miguel foi abruptamente interrompido, levantando suspeitas de um padrão reiterado de actuação.
“Vendeu sonhos, cobrou caro e desapareceu”, relatou ao Agita News um encarregado de educação angolano que pondera avançar com ação judicial.
DESPEJO POR INCUMPRIMENTO REFORÇA HISTÓRICO PROBLEMÁTICO
Os problemas judiciais de Rifen Miguel não se limitam ao alegado esquema com atletas. Em janeiro de 2024, o seu nome surge num processo de despejo residencial no Tribunal do 13.º Circuito Judicial do Condado de Hillsborough, motivado por incumprimento contratual no pagamento de renda.
Embora o processo tenha sido posteriormente encerrado com o estatuto de “disposed”, o caso reforça um padrão de litígios e conflitos legais que contrastam com a imagem pública de dirigente filantrópico e promotor de oportunidades internacionais.
COMUNIDADE DESPORTIVA EM ALERTA MÁXIMA
O caso está a provocar indignação e alarme no seio da comunidade desportiva africana, com treinadores, agentes e dirigentes a alertarem para o crescimento de falsos intermediários que exploram o desespero de jovens talentos e famílias vulneráveis.
Especialistas defendem investigações profundas, maior fiscalização e cooperação internacional para travar redes que usam o desporto como porta de entrada para esquemas fraudulentos.
PRESUNCÃO DE INOCÊNCIA
Apesar da gravidade das denúncias e da existência de processos judiciais nos Estados Unidos, não há, até ao momento, condenação transitada em julgado relacionada com as alegações de burla. Aplica-se, por isso, o princípio da presunção de inocência, cabendo às autoridades norte-americanas o apuramento definitivo dos factos.
- O Agita News continuará a investigar e a acompanhar este caso, que ameaça expor um dos mais graves escândalos envolvendo falsas promessas desportivas a jovens africanos nos últimos anos.
Agita News
