Emprego industrial cai 2,71%, enquanto indústria extractiva mantém sector instável

INSTABILIDADE. Indústria transformadora cresce em emprego e produção, enquanto a extractiva cai. Bens de consumo impulsionam emprego, mas produtos de energia e bens intermédios penalizam o sector, que ainda depende fortemente da indústria extractiva e enfrenta fragilidade estrutural.

Por Alfredo Calunga

O emprego industrial em Angola caiu 2,71% em Fevereiro, face ao mês anterior, com destaque para a redução de 10,63% na indústria extractiva, enquanto a indústria transformadora cresceu 9,75%. Em termos homólogos, entretanto, o pessoal ao serviço aumentou 23,75%.

No segundo mês do ano, a produção industrial recuou 2,44%, mas subiu 31,05% em relação ao mesmo período de 2025, segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE). A queda mensal foi impulsionada sobre-tudo pela indústria extractiva, que registou uma diminuição de 10,63% no emprego, uma queda de 11,93% na produção industrial, uma redução de 8,47% nas horas trabalhadas e um aumento de 6,66% no volume de negó cios. Em termos homólogos, registu-se uma queda de 11,10% no emprego, 4,28% na produção e 8,83% nas horas trabalha-das, bem como uma redução de 25,20% no volume de negócios.

Em sentido oposto, a indústria transformadora voltou a destacar-se como o principal motor de absorção de mão-de-obra, com um crescimento de 9,75% no emprego, 12,17% na produção industrial, 9,79% nas horas

trabalhadas e 8,33% no volume de negócios em termos mensais. Em termos homólogos, os aumentos são ainda mais expressivos. Foram de 118,92% no emprego, 131,99% na produção, 112,08% nas horas trabalhadas e 59,37% no volume de negócios.

A análise por tipo de bens mostra que os bens de consumo lideraram a criação de emprego, com uma variação mensal de 11,25% e um crescimento homó-logo expressivo de 152,14%. Já os produtos de energia regista ram uma queda acentuada de 9,89%, reforçando o impacto negativo deste segmento sobre o emprego total.

Voltando à produção, no Indice de Produção Industrial, que registou uma variação mensal negativa de 2,44%, a indústria

extractiva foi quem mais contribuiu para a referida redução com uma variação de -6,74 pontos percentuais. Em contrapartida, a indústria transformadora cresceu 12,17% no mês e 131,99% em termos homólogos.

A nível de categorias de bens, os bens de consumo voltaram a destacar-se, com uma subida mensal de 13,72% e um crescimento homólogo de 177,64%. Por outro lado, os produtos de energia caíram 11,19%, enquanto os bens intermédios recuaram 2,31%, mostrando um desempenho desigual entre os diferentes segmentos da produção industrial. O volume de negócios, por sua vez, apresentou um crescimento mensal de 6,64%, impulsionado pela indústria transformadora (8,33%) e extractiva (6,66%). No entanto, em termos homólogos, registou uma queda de 17,79%, sendo que a indústria transforma-dora cresceu 59,37%, enquanto a indústria extractiva caiu 25,20%.

Por tipo de bens, os bens intermédios lideraram o crescimento do volume de negócios (11,51%), seguidos pelos bens de consumo (11,37%), produtos de energia (5,39%) e bens de investimento (2,25%). Ainda assim, o desempenho anual continua a revelar fragilidades, apesar dos ganhos em alguns segmentos.

As horas trabalhadas também registaram uma diminuição mensal de 1,79%, acompanhando a queda do emprego e sugerindo um abrandamento da actividade produtiva. Ainda assim, em ter-mos homólogos, verificou-se um aumento de 19,55%, sendo que a indústria transformadora cresceu 112,08%, enquanto a indústria extractiva registou uma queda de 8,83%.

Valor Econômico

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