O Director-Geral do Serviço Penitenciário de Angola, Bernardo Pereira do Amaral Gourgel, responsável por um dos órgãos mais sensíveis do Ministério do Interior de Angola, está a ser apontado por várias fontes ligadas ao sector como uma figura envolvida em alegados actos de corrupção e desvio de recursos públicos.
Segundo informações recolhidas em círculos internos do ministério, o dirigente é descrito por algumas elites do sector como um “corrupto escondido no manto de um santo”, beneficiando alegadamente de protecção política dentro do próprio ministério.
Fontes indicam que o actual titular do pelouro do Interior, Manuel Homem, terá conhecimento de várias denúncias relacionadas com a gestão do Serviço Penitenciário, estrutura frequentemente descrita como um “comedouro” por alegadamente movimentar avultados recursos financeiros.
CLIMA DE MEDO E SILÊNCIO
Dentro da instituição, o ambiente descrito é de receio e intimidação. Funcionários e quadros do sector afirmam temer represálias caso denunciem irregularidades atribuídas ao Director-Geral.
De acordo com relatos obtidos pelo Agita News, o responsável terá afirmado, em círculos restritos, possuir proximidade com figuras influentes ligadas ao Presidente da República, João Lourenço, o que, segundo as mesmas fontes, reforça o clima de silêncio e medo dentro da instituição.
SUSPEITAS DE DESVIOS MILIONÁRIOS
O nome do dirigente é citado em vários processos relacionados com alegados desvios de biliões de kwanzas que deveriam ter sido aplicados no desenvolvimento da produção penitenciária durante a gestão do antigo Ministro do Interior, Eugénio César Laborinho.
Fontes afirmam ainda que processos internos terão sido arquivados ou “engavetados” pela Inspecção-Geral do Ministério do Interior, alegadamente após a corrupção de alguns inspectores, que teriam sido influenciados para travar investigações.
Um dos casos mencionados envolve o desvio de viaturas do Estado, cuja ausência terá sido justificada com alegadas viaturas abatidas pelos efectivos.
FAZENDAS E PATRIMÓNIO SOB SUSPEITA
Entre 2020 e 2025, o Director-Geral terá adquirido cinco grandes fazendas, localizadas nas províncias do Huambo, Malanje, Cuanza Sul, Bengo e Icolo e Bengo.
A propriedade situada em Caxito tem gerado particular preocupação entre agricultores da região. Segundo denúncias, para essa fazenda teriam sido desviados gados provenientes de um acordo de cooperação entre Angola e o Chade, destinados originalmente ao fomento da produção penitenciária.
Além disso, também teriam sido encaminhados para a mesma propriedade caprinos da raça Brahma provenientes da Zâmbia, igualmente destinados a programas institucionais.
Fontes indicam ainda que tractores e equipamentos agrícolas pertencentes ao Estado estariam a ser utilizados em propriedades privadas do responsável.
USO DE RECLUSOS EM PROPRIEDADES PRIVADAS
Outra denúncia considerada grave refere-se ao alegado uso de reclusos em fazendas privadas, particularmente na propriedade localizada em Caxito.
Segundo relatos e materiais audiovisuais que circulam em alguns círculos, reclusos com penas ainda por cumprir estariam a trabalhar nas fazendas, evitando assim a contratação de trabalhadores civis.
Imagens e vídeos mencionados mostram uniformes de reclusos estendidos para secar e detidos a operar tractores, alegadamente pertencentes ao Estado.
ACUSAÇÕES DE GESTÃO AUTORITÁRIA
Além das suspeitas de corrupção, o Director-Geral é descrito por analistas e quadros do sector como um gestor prepotente, arrogante e marcado por práticas de retaliação, conduzindo a instituição num ambiente de forte tensão interna.
Diante das denúncias, vários analistas e funcionários apelam à intervenção urgente das autoridades competentes e dos órgãos de segurança do Estado para que seja realizada uma investigação profunda e transparente.
Segundo as fontes, existem imagens, vídeos e outros elementos de prova que poderão ajudar a esclarecer os factos e determinar eventuais responsabilidades.
Agita News Oficial
