Dados da Trend Micro referem que Angola consta dos 20 países africanos em número de detecções de ameaças de ransomware no ano passado, com um registo de 595 casos.
Angola consta da lista de países mais afectados por ataques cibernéticos em 2024, de acordo com dados de detecção de malware do Índice Global de Ameaças Cibernéticas da União Internacional de Telecomunicações (UIT), consultados pela revista Economia & Mercado.
A pesquisa detalha que várias nações africanas, incluindo Etiópia, Zimbabwe, Angola, Uganda, Nigéria, Quénia, Gana e Moçambique, estão entre as mais frequentemente visadas globalmente no ano passado.
Dados da Trend Micro referem que Angola consta dos 20 países africanos em número de detecções de ameaças de ransomware em 2024, com um registo de 595 casos; enquanto a Kaspersky, também citada no estudo da UIT, reportou que o País registou mais 349 notificações suspeitas de fraude cibernética em relação a 2023.
Já o Relatório de Avaliação de Ameaças Cibernéticas da INTERPOL África 2025 informa que as autoridades angolanas desmantelaram 25 centros de mineração de criptomoedas, onde 60 cidadãos chineses validavam ilegalmente transacções de blockchain para gerar criptomoedas.
A operação, refere a pesquisa a que a E&M teve acesso, identificou 45 usinas eléctricas ilícitas, que foram confiscadas, juntamente com equipamentos de mineração e outros meios no valor de mais de 37 milhões de dólares, agora destinados pelo Governo para apoiar a distribuição de energia em áreas vulneráveis.
O Índice Global de Ameaças Cibernéticas da UIT 2024 ressalta a necessidade de criação de estruturas de segurança cibernética mais robustas para proteger os avanços digitais e garantir resiliência a longo prazo.
O documento observa que a rápida transformação digital de África aumentou significativamente a conectividade e impulsionou a adopção generalizada de tecnologias como serviços bancários móveis, comércio electrónico e computação em nuvem, fomentando o crescimento económico e a inovação.
“No entanto, essa expansão também introduziu desafios de segurança cibernética, à medida que as infra-estruturas digitais se tornaram alvos cada vez mais atraentes para agentes de ameaças cibernéticas”, lê-se no estudo.
Especifica que, com mais de 500 milhões de usuários de internet na região, muitos países africanos ainda carecem de medidas adequadas de segurança cibernética, deixando empresas e indivíduos vulneráveis a ataques.
A pesquisa, consultada pela E&M, acrescenta que Estados africanos enfrentam desafios de legislação especializada, investimento limitado em segurança cibernética e lacunas de literacia digital, expondo ainda mais esses riscos.
“O uso generalizado de smartphones tornou as plataformas móveis um alvo principal para criminosos cibernéticos, especialmente em regiões com alta adopção de serviços bancários móveis. Além disso, a crescente integração de dispositivos de Internet em sectores como agricultura, saúde e manufactura apresenta novos riscos à segurança, já que muitos desses dispositivos carecem de protecção robusta”, alerta a pesquisa.
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