Agricultores da Huíla acusam Carrinho Agri de cobranças abusivas e intimidações

Pequenos agricultores da província da Huila denunciaram alegadas práticas abusivas por parte da empresa Carrinho Agri, pertencente ao Grupo Carrinho, no âmbito de créditos agrícolas concedidos aos produtores locais, soube o Imparcial Press.

Segundo os denunciantes, os técnicos da empresa, sob orientação do gestor de divisão Custódio Job Lucas, têm recorrido a métodos coercivos e, em alguns casos, intimidatórios para cobrar dívidas de camponeses que se encontram em situação de incumprimento.

O modelo de financiamento da Carrinho Agri consiste na entrega de insumos agrícolas – sementes, fertilizantes, inseticidas e outros produtos – aos agricultores, com a obrigação de pagamento após a colheita.

Em situações de perda da produção por causas naturais, como seca, inundações, incêndios ou falhas de germinação, os contratos preveem a cobertura através do seguro agrícola gerido pela Viva Seguro, mecanismo criado precisamente para proteger os produtores de prejuízos imprevistos.

Contudo, agricultores da divisão de Caconda, que abrange os municípios de Chipindo, Caconda, Cacula, Lubango e Humpata, relatam que esta cobertura não tem sido respeitada.

De acordo com os mesmos, o gestor da divisão terá instruído os técnicos da empresa a prosseguir com cobranças mesmo em casos em que os agricultores se encontram protegidos pelo seguro.

“Muitos camponeses perderam as suas colheitas por factores que não dependem deles, mas ainda assim foram pressionados a pagar”, descreve a denúncia.

Os relatos indicam ainda que os métodos de cobrança incluem a apreensão de animais, bens pessoais e até dinheiro encontrado nas residências dos agricultores.

Em alguns casos, os camponeses terão sido ameaçados para venderem os poucos bens que possuem de forma a liquidar as dívidas.

Esta situação, segundo os agricultores, tem provocado medo, descontentamento e um sentimento de injustiça generalizado.

“Quando temos boas colheitas, pagamos o crédito e também o seguro agrícola. Mas quando a produção falha, somos cobrados como se o seguro não existisse. Isto é inaceitável e deixa muitas famílias sem sustento”, lamenta ao Imparcial Press um agricultor que preferiu manter o anonimato por receio de represálias.

As denúncias levantam sérias questões sobre a aplicação das regras de crédito agrícola e sobre a actuação da empresa no terreno, uma vez que o seguro agrícola deveria servir como mecanismo de equilíbrio entre risco e responsabilidade.

Contactadas de forma informal, fontes locais deste jornal confirmam que vários agricultores enfrentam dificuldades em saldar as dívidas devido às más colheitas registadas nos últimos anos, agravadas por fenómenos climáticos extremos que afetaram fortemente a produção agrícola na região.

Face à gravidade da situação, os agricultores apelam à intervenção das autoridades competentes para garantir que o seguro agrícola seja aplicado conforme os contratos e para que sejam travadas práticas que consideram “abusivas e injustas”.

Imparcial Press

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