Filho de “Nandó” deve mais de 150 milhões USD e Estado pode ser o principal lesado

O empresário Cláudio da Piedade Dias dos Santos, filho do presidente da Assembleia Nacional, Fernando da Piedade Dias dos Santos, enfrenta uma dívida avultada junto do Banco Económico, maioritariamente detido pelo Estado, que poderá ultrapassar 150 milhões de dólares. Segundo informações do Maka Angola, o montante inclui créditos da Prebuild, empresa de construção de Cláudio, bem como da sociedade familiar Mostratus – Participações e Investimentos, Lda., envolvendo empréstimos com vencimentos entre 2026 e 2037, acrescidos de juros.

Em Dezembro próximo, a Prebuild deverá liquidar cerca de 113 milhões USD, parte do capital contratado desde 2013 junto do antigo Banco Espírito Santo Angola (BESA). Apesar de sucessivas reestruturações da dívida, a empresa mantém incumprimentos, incluindo 4,6 milhões USD devidos à subempreiteira Ramos Ferreira Engenharia, Lda., relativos a obras nos empreendimentos Dolce Vita e Quinta Rosa Linda em Luanda. Tentativas de compensação com imóveis não foram concretizadas, e a ação judicial continua sem decisão definitiva.

A situação preocupa especialistas, uma vez que o Estado, acionista maioritário do Banco Económico via Sonangol (70,38%), é potencialmente o principal lesado. Outros acionistas do banco incluem a Geni – Novas Tecnologias (19,9%), do general Leopoldino Fragoso do Nascimento, e o português Novo Banco (9%).

Cláudio Dias dos Santos, classificado como Pessoa Politicamente Exposta (PEP) por ser filho de Nandó, tem a sua atividade financeira sob atenção reforçada das autoridades bancárias, conforme normas do Banco Nacional de Angola. No entanto, dúvidas permanecem sobre o destino dos créditos milionários contraídos, já que parte dos fundos teria sido transferida para empresas do grupo familiar e não honrados junto a subempreiteiros e fornecedores.

O caso evidencia a necessidade de atuação célere da justiça angolana, considerando que ações cautelares para recuperar valores estão pendentes há anos, e alerta para os efeitos da inoperância institucional na proteção dos interesses públicos e no desenvolvimento económico do país.

Luanda sul line

Voltar ao topo