A um ano de deixar o Palácio, João Lourenço prevê gastar 696,3 milhões kz em consultoria e imagem

DESPESA PÚBLICA. Estratégia de comunicação prioriza a análise de opinião pública e a contratação de serviços por convite, que visa mitigar o desgaste político do chefe de Estado.

esmo consti-tucionalmente impedido de M concorrer a um novo mandato, o Presidente João Lourenço prepara uma ofensiva comunicacional para 2026. De acordo com o levanta-mento feito pelo Valor Econó-mico com base nos Plano Anual de Contratação (PAC), o Centro de Imprensa da Presidência da República (CIPRA) tem orçamen-tados mais de 696,3 milhões de kwanzas para a gestão de imagem e consultoria estratégica. O orçamento está fragmentado em diversas rubricas que visam desde o mercado interno até à pro-jecção internacional das acções do Executivo.

PRIORIDADES ESTRATÉGICAS

A alocação dos 696,3 milhões de kwanzas revela uma hierar-quia clara de prioridades para o CIPRA. O maior volume de recur-sos, fixado em 286,1 milhões de kwanzas, será canalizado para a consultoria estratégica, visando o desenho da narrativa política e o apoio directo à imagem ins-titucional do chefe de Estado. Em paralelo, a gestão de dados

assume um papel central na estra-tégia governamental. O Executivo prevê desembolsar 197,3 milhões de kwanzas em serviços de aná-lise de dados, com o objectivo de integrar as tendências locais e internacionais no planeamento das estratégias nacionais. No que toca à auscultação popular, o órgão de comunicação da Pre-sidência inscreveu 109,6 milhões de kwanzas para a realização de sondagens e levantamentos esta-tísticos. Este investimento em

“inteligência de opinião” é justifi-cado com a necessidade de orien-tar a tomada de decisões com base no pulso da opinião pública. Por fim, o reforço directo do engaja-mento e clareza comunicacional contará com uma verba de 103,3 milhões de kwanzas, focada em aumentar a proximidade entre a figura presidencial e os cidadãos através de uma comunicação mais assertiva. Embora elevado, o investimento em sondagens de opinião representa uma redução face aos 305,4 milhões de kwan-zas despendidos em 2024, ano em que o foco incidiu sobre a percep-ção internacional da governação. Um ponto crítico revelado pelo levantamento é a modalidade de contratação. O CIPRA man-tém uma preferência sistemá-tica pelo concurso limitado por convite, em detrimento do con-curso público aberto. Especia-listas alertam que, embora a Lei dos Contratos Públicos preveja esta modalidade, o uso recor-rente reduz a competitividade, compromete a transparência e eleva o risco de sobrefacturação.

MILHÕES PARA O LOBBY NOS EUA

A estratégia de ‘rebranding’ de João Lourenço e de Angola não se limita ao território nacional. Em Janeiro de 2025, o Governo renovou os contratos com as empresas de lobby norte-ame-ricanas Squire Patton Boggs e BGR Group. O custo total para manter a influência em Washing-ton ascende aos 5,79 milhões de dólares. Só a BGR Group rece-berá 2,14 milhões de dólares por um contrato de 12 meses, focado em relações públicas e atracção de investimento directo estran-geiro. Até ao momento, não há confirmação oficial sobre a con-tinuidade destes contratos para o exercício económico de 2026.

Valor Econômico 

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