GASTOS. Orçamentos municipais de Luanda revelam uma governação mais preocupada em celebrar datas do que em garantir água, saneamento e dignidade básica às populações, transformando a festa numa prioridade administrativa.
Grande parte das administrações municipais de Luanda conti-nua a privilegiar gastos com efemérides, atividades e confraternizações, em detrimento do investimento em serviços sociais básicos, como o
abastecimento de água, saneamento e drenagem pluvial. Paralelamente, o concurso limitado por convite surge como a via preferencial de contratação dos administradores municipais.
Um levantamento do Jornal Valor Económico, com base nos Planos Anuais de Contratação Pública publicados no Portal da Contratação Pública, mostra que dez dos catorze municípios da capital reservaram somas consideráveis para actividades festivas, enquanto destinam verbas residuais a sectores estruturantes da qualidade de vida das populações.
Em termos práticos, 70% das administrações municipais de Luanda apresentam orçamentos em que as verbas para festividades e confraternizações superam largamente os investimentos com impacto directo, como saneamento
básico e abastecimento de água. O Cazenga, sob liderança de
Nádia Neto, surge no topo da lista. A administração prevê gastar cerca de 1,1 mil milhões de kwanzas em datas comemorativas, acrescidos de 80 milhões de kwanzas para serviços de hospedagem e alimentação. O contraste é evidente: enquanto quase 900 milhões de kwanzas são canalizados para a rubrica de “integração com as crianças”, apenas 38 milhões de kwanzas estão previstos para a drenagem de águas pluviais, uma das maiores carências do município durante a época chuvosa.
Na Ingombota, o cenário repete–se. A administração liderada por Milca Caquesse inscreveu 689,5 milhões de kwanzas para festividades, incluindo as celebrações dos 450 anos de Luanda. Em comparação, a assistência social conta com apenas 25 milhões de kwanzas, enquanto o abastecimento de água e saneamento básico dispõe de 35 milhões. Só a aquisição de T-shirts absorve 173,1 milhões de kwanzas.
Valor Econômico
