Funcionários da TAAG – Linhas Aéreas de Angola apresentam uma denúncia grave sobre alegadas irregularidades na actual gestão da companhia, com destaque para a contratação considerada duvidosa da empresa Kaizen, de origem coreana, para a realização de uma auditoria interna em áreas altamente sensíveis, incluindo a manutenção aeronáutica.
De acordo com informações recolhidas pelo Agita News, a referida empresa não possui histórico conhecido de auditorias em companhias aéreas, o que levanta sérias dúvidas sobre a sua capacidade técnica para avaliar procedimentos directamente ligados à segurança operacional das aeronaves.
CONTRATAÇÃO QUESTIONADA E POSSÍVEL CONFLITO DE INTERESSES
Fontes internas indicam que a Kaizen terá mantido relações profissionais anteriores com a empresa Refriango, contexto no qual já existiam ligações com Manuela Pardal, actual administradora da TAAG, e Neide Teixeira, responsável pelo Capital Humano da companhia.
Para os denunciantes, esta ligação levanta suspeitas legítimas de favorecimento, colocando em causa os princípios de imparcialidade, transparência e boa governação na escolha da entidade auditora.
A questão central levantada pelos trabalhadores é clara:
por que motivo uma empresa sem experiência comprovada no sector aeronáutico foi escolhida para auditar precisamente a área mais crítica da companhia aérea nacional?
VALORES OCULTOS E SUSPEITA DE SOBREFATURAÇÃO
Outra preocupação grave prende-se com o valor pago à Kaizen, até hoje não tornado público. A ausência de informação oficial sobre os montantes envolvidos alimenta suspeitas de contratos opacos e possível sobrefaturação, prática recorrente em processos de consultoria pouco transparentes no sector público.
Especialistas do sector da aviação e da gestão pública alertam que auditorias em áreas técnicas de elevada complexidade exigem entidades certificadas e com histórico comprovado, sob pena de comprometer a segurança e a credibilidade institucional da TAAG.
SALÁRIOS SOB LUPA NO CAPITAL HUMANO
Paralelamente, os funcionários exigem uma auditoria urgente aos salários e benefícios praticados no sector do Capital Humano, apontando disparidades salariais injustificadas e falta de critérios claros. Entre os quadros citados pelos denunciantes estão Cidalina Sales, Marcos Sousa, Andréia Barreto e Dário Caetano, entre outros.
Segundo as denúncias, a falta de transparência na política remuneratória agrava o clima interno e levanta suspeitas de gestão desigual e privilegiada.
APELO ÀS AUTORIDADES
Diante da gravidade dos factos, os trabalhadores apelam formalmente à intervenção das seguintes entidades:
• Inspecção-Geral da Administração do Estado (IGAE)
• Tribunal de Contas
• Ministério Público
Com o objectivo de esclarecer:
• quanto foi pago à empresa Kaizen;
• com base em que critérios foi seleccionada;
• se a auditoria cumpre os padrões exigidos pela indústria da aviação;
• e se há irregularidades na gestão salarial interna.
Num sector onde a segurança não admite improvisos, a transparência deixa de ser opcional e torna-se uma obrigação de Estado.
Agita News
