Violência xenófoba volta a fazer vítima mortal na África do Sul

Um cidadão estrangeiro morreu esta sexta-feira, na cidade de Durban, na África do Sul, após ser espancado por um grupo de cerca de 50 pessoas, num episódio ocorrido à margem de uma manifestação, numa altura em que persistem os protestos contra a presença de imigrantes no país.

Segundo a polícia local, dois manifestantes terão abandonado o cortejo para se aproximarem da vítima, que se encontrava junto à estrada onde decorria a marcha. Pouco depois, o estrangeiro foi agredido por dezenas de pessoas e declarado morto no local.

O homicídio volta a colocar em evidência a violência contra cidadãos estrangeiros na África do Sul, sobretudo em Durban e Joanesburgo, cidades que têm registado manifestações anti-imigração e episódios de violência urbana.

Na quarta-feira, motoristas de Veículos de Turismo com Condutores (VTC) desfilaram no mesmo bairro, acompanhados por membros do movimento March and March, apontado como uma das principais forças da campanha contra a presença de estrangeiros no país.

Há duas semanas, o Exército foi destacado para o centro de Durban, em apoio às forças policiais, depois de dois dias de violência marcados por saques e incêndios criminosos.

A África do Sul, considerada a maior economia do continente africano, continua a atrair migrantes de vários países, mas enfrenta uma taxa de desemprego superior a 30% e profundas desigualdades sociais, num contexto em que o acesso ao emprego e aos serviços públicos alimenta tensões relacionadas com a imigração.

Os episódios de violência xenófoba persistem há mais de duas décadas no país, que se prepara para realizar eleições municipais a 4 de Novembro, num momento em que a imigração continua a marcar o debate público.

Correio da Kianda 

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