“Lulinha” suspeito de ajudar empresa detida pela Mota-Engil a assinar contratos com o Governo do pai

Em 2012, o Grupo Mota-Engil comprou 50% da Empresa Construtora Brasil (ECB), e em 2025 adquiriu o restante (que pertencia à família Rezende), ficando com 100% da empresa. A ECB acumulou contratos no Brasil no valor de dois mil milhões de reais (€350 milhões de euros), desde que Amauri Pinha (vizinho do filho de Lula da Silva) assumiu a presidência da construtora

A empresária e lobista brasileira Roberta Luchsinger, que está a ser investigada pela Polícia Federal num contexto de alegado tráfico de influências em que também está envolvido Fábio Luís Lula da Silva (conhecido como “Lulinha”), acusou o filho do presidente Lula da Silva de ter ajudado a Empresa Construtora Brasil (ECB), do grupo portugês Mota-Engil, a assinar contratos com o Governo do Brasil.

Em entrevista à CNN Brasil, Luchsinger afirmou: “Não estou dentro dessa história, mas conheço essa história”, acrescentando que o presidente da ECB, Amauri Rodrigues Pinha, é vizinho de Fábio Luís Lula da Silva.

Em reação às acusações, fonte do gabinete de Lula da Silva afirmou que o presidente, que neste momento está a disputar a reeleição para o Palácio do Planalto com Flávio Bolsonaro, “desconhece inteiramente os fatos relatados por Roberta Luchsinger”.

“Como já esclareceu noutras ocasiões, o presidente jamais manteve qualquer conversa com ela, nunca recebeu os seus pedidos nem tem conhecimendo de supostas negociações, como as que foram mencionadas. Importa ressaltar que não existe nenhum contrato do Governo federal com Roberta Luchsinger”, refere o comunicado da presidência brasileira, frisando que “causa estranheza que estas declarações sejam lançadas justamente na véspera da segunda volta das eleições presidenciais”.

Numa nota enviada à CNN, a defesa de Fábio Luís Lula da Silva também negou qualquer irregularidade. “A sua relação com políticos, inclusive os que eventualmente se tornaram ministros de Estado, é de natureza pessoal e resultante de seu convívio desde a infância, sem qualquer troca de viés ilegal ou não republicano”, refere o comunicado, frisando que as insinuações de Luchsinger “são incompatíveis com seu depoimento às autoridades”.

Fundada em 1945 e com sede em Belo Horizonte (capital do estado de Minas Gerais, no sudeste do Brasil), a ECB opera no sector da construção de infraestruturas pesadas, rodovias, ferrovias, saneamento, terraplenagens e pavimentação, além de projetos industriais e também no sector do petróleo e gás. Em 2012, o Grupo Mota-Engil comprou 50% da ECB, e em 2025 adquiriu o restante (que pertencia à família Rezende), ficando com 100% da empresa. Nesse ano, a ECB fechou contrato com a petrolífera Petrobras para uma série de intervenções na Refinaria Duque de Caxias, no Rio de Janeiro.

Segundo a empresária, a ECB acumulou contratos no Brasil no valor de dois mil milhões de reais (€350 milhões de euros), desde que Amauri Pinha assumiu a presidência da construtora. “O presidente da República tem que questionar, tem que dizer à polícia para ver os contratos da empresa”, acusou Luchsinger, dizendo ainda que Amauri Pinha “entrou no Palácio do Planalto, no Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes e na Petrobras”. “É público, o Governo tem que informar.”

No Brasil, a Mota-Engil possui 32% da gigante China Communications Construction Company. A empresa ganhou o leilão de Parceria Público-Privada para a construção e operação do túnel Santos-Guarujá. A CNN Brasil entrou em contato com o Grupo Mota-Engil, mas não obteve resposta.

A ECB começou por se dedicar a serviços de Construção Industrial e Civil. A partir de 1953 as atividades foram alargadas para a área de Terraplenagem e Pavimentação. Em 2019, iniciou a construção do Aeroporto de Londrina, um dos mais modernos e importantes do Brasil, situado no Paraná.

“Hoje com um know-how de mais de 65 anos em obras de engenharia, a ECB participa em importantes projetos, muitos deles pioneiros e que contribuíram para o desenvolvimento das regiões em que estão inseridos. Ao longo de sua história foram mais de 200 contratos de destaque nacional executados para diversos clientes”, refere a Mota-Engil no seu site.

Expresso

Voltar ao topo