O Presidente moçambicano, Daniel Chapo, disse hoje que o Governo quer encaminhar parte das vítimas dos recentes episódios de violência xenófoba na África do Sul para oportunidades de emprego em Portugal e nos Emirados Árabes Unidos.
Em conferência de imprensa no final da 46.ª Cimeira dos Chefes de Estado e de Governo da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), realizada em Durban, o chefe de Estado moçambicano explicou que o Executivo efectuou o registo e a triagem dos cidadãos repatriados para identificar as suas qualificações profissionais e facilitar a sua reinserção.
“Temos um outro acordo de trabalho com Emirados Árabes Unidos e também Portugal. Estamos a trabalhar para seguirem também para estes países”, declarou.
Segundo o Daniel Chapo, muitos dos regressados possuem qualificações profissionais e estão igualmente a ser integrados numa base de dados gerida pelo Instituto Nacional de Emprego, permitindo o seu encaminhamento para projectos públicos e privados em Moçambique.
Entre as oportunidades internas, destacou os projectos de gás natural na Bacia do Rovuma, em Cabo Delgado, norte de Moçambique, referindo que o empreendimento liderado pela TotalEnergies emprega actualmente cerca de nove mil trabalhadores, dos quais aproximadamente sete mil são moçambicanos.
Os episódios de violência contra estrangeiros intensificaram-se na África do Sul desde o final de Maio, envolvendo agressões, intimidações, saques, incêndios de residências e expulsões forçadas de cidadãos de vários países africanos, de acordo com a Lusa.
O Presidente sublinhou, contudo, que a prioridade inicial do Governo foi garantir a protecção e o repatriamento dos cidadãos afectados pelos ataques contra estrangeiros na África do Sul que já provocaram a morte, oficialmente, de 11 moçambicanos.
“Quando começou este fenómeno de violência contra os nossos irmãos na África do Sul, o nosso foco foi salvar vidas”, destacou o dirigente moçambicano.
O chefe de Estado acrescentou que a maioria dos regressados é oriunda das províncias de Gaza e Inhambane, no sul do país, e indicou que muitos dos moçambicanos empregados legalmente nas minas e no sector agrícola sul-africano não regressaram ao país.
Durante a cimeira da SADC, o Presidente manifestou preocupação com os episódios de violência contra estrangeiros na África do Sul e apelou ao respeito pela dignidade humana e à promoção de migrações seguras e ordenadas na região.
Angop
