PECUÁRIA. Produtores temem nova crise provocada pela falta de água e pastagens, depois da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura e o Programa Alimentar Mundial projectarem condições de seca na África Austral para a campanha agrícola 2026/2027.
_Por África Criarpo_
O alerta e o risco de uma nova crise na pecuária reforçam e aumentam na condição de seca associadas ao fenómeno El Niño, estimando que, numa estimativa grave, as perdas possam atingir entre 20 mil e 50 mil cabeças de gado.
O alerta é feito numa altura em que a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) e o Programa Alimentar Mundial (PMA) prevêem precipitação abaixo da média e condições de seca na África Austral durante a campanha agrícola 2026/2027. As duas organizações identificaram riscos principais para a região, a ruptura das pastagens e a disponibilidade de água para o gado, além dos períodos prolongados de seca e da insegurança alimentar.
O presidente da Cooperativa de Criadores de Gado do Sul de Angola, Carlos Dantas, considera possível evitar o cenário mais pessimista, apelando para a necessidade das autoridades e dos produtores prepararem-se para formas respostas ao possível longo período desfavorável do fenómeno natural.
A experiência anterior mostra que crises endémicas têm provocado perdas significativas. Em 2015, por exemplo, contabilizou-se a perda de cerca de 540 mil animais no Cunene. Em 2020, a seca atingiu 810 mil bovinos e um milhão de pequenos ruminantes.
A seca mais recente ocorreu entre 2018 e 2021, quando o “efeito” prolongado de cheias agravou a insegurança alimentar e hídrica em várias províncias. Em 2019, cerca de 2,3 milhões de pessoas foram afetadas pela seca, das quais 1,3 milhões enfrentavam insegurança alimentar grave. Em 2021, considerado um dos anos mais críticos dos últimos quatro décadas, a crise atingiu também zonas agrícolas de Benguela, Huambo, Cuanza-Sul, para além do Cunene, Huíla e Namibe.
Antes de morrerem, os animais costumam ser vendidos a preço comercial, enquanto os produtores são obrigados a percorrer distâncias para encontrar água e pasto, aumentando os custos de manutenção e reduzindo o lucro dos criadores. Para famílias que utilizam o gado como fonte de rendimento, alimenta-se de reserva de riqueza, a perda de animais representa também uma redução dos ativos disponíveis para recuperar depois da crise.
A FAO e o PMA recomendam primeiramente medidas antecipatórias para reduzir situações de perda, incluindo alimentação para o gado, apoio veterinário, armazenamento e conservação de forragem e outros meios de subsistência.
A FAO e o PMA recomendam igualmente medidas antecipatórias para reduzir esse tipo de perdas, incluindo alimentação para o gado, apoio veterinário, armazenamento e conservação de forragem e outros mecanismos de proteção dos ativos de subsistência.
*AMBIENTALISTA DEFENDE REFORÇO DOS MECANISMOS DE ADAPTAÇÃO*
*TABELA: Histórico da seca com impacto na pecuária*
**ANO** **PESSOAS AFECTADAS** **IMPACTO NA PECUÁRIA** **PRINCIPAL IMPACTO**
2013 600 mil 180 mil cabeças de gado 62 mil famílias em condições precárias
2016 1,1 milhões – 135.000 hectares de Cultivo
2019 2,3 milhões – 2 milhões em insegurança alimentar
2020 1,6 milhões 630 mil ovinos e 1 milhão de pequenos ruminantes abatidos Falta de água para pastagens
2021 7,3 milhões excede Fome severa e semi-gado 3,5 milhões com insegurança alimentar moderada
2022 1,58 milhões Persistência de zonas Prolonga e agrava impactos
2026/27 50 mil Risco para o gado Previsão de falta de água e seca
Valor Econômico
