A vulnerabilidade da rede Unitel, exposta pelo ataque informático que paralisou parte dos seus serviços desde a madrugada de terça-feira, está já a traduzir-se em ganhos de mercado para a concorrência. Segundo apurado junto de agentes e vendedores informais na capital, a procura por cartões SIM da Africell disparou nas últimas 24 horas, com preços a fixarem-se entre os 300 e os 500 kwanzas — bem acima do valor habitual de venda ao público.
O fenómeno, ainda que circunscrito ao curto prazo, ilustra a rapidez com que consumidores e operadores económicos reagem a falhas de serviço num mercado de telecomunicações fortemente dependente de uma única infra-estrutura dominante. Para empresas cuja operação depende de conectividade contínua — facturação, comunicação com clientes e fornecedores, meios de pagamento —, a indisponibilidade da rede Unitel representou um custo operacional imediato, levando à procura de soluções alternativas de curto prazo.
Em comunicado, a Unitel confirmou que a interrupção, sentida desde as 2h20 de terça-feira, resultou de um ataque cibernético dirigido à sua infra-estrutura tecnológica, tendo accionado mecanismos de resposta e contenção, com mobilização de equipas técnicas e de cibersegurança para restabelecimento do serviço em todo o território nacional.
O incidente surge num momento particularmente sensível para a operadora, precisamente na antecâmara da sua estreia na Bolsa de Dívida e Valores de Angola (BODIVA), agendada para esta quarta-feira, na sequência do processo de privatização parcial que colocou 15% do capital da empresa em mãos privadas. A fuga de clientes para a concorrência, ainda que pontual, expõe a operadora a um escrutínio público mais apertado num momento em que a fiabilidade operacional passa a ser também matéria de interesse para investidores e accionistas. Resta saber que impacto — reputacional e, eventualmente, bolsista — este episódio poderá ter na recepção do mercado à nova cotada.
