Governo tem 145 empresas em incumprimento contratual

Mais de 20 empresas estão disponíveis em retomar os trabalhos, enquanto outras 36 foram notificadas por se encontrarem em parte incerta.

Cerca de 145 empresas não cumpriram as obrigações assumidas em contratos celebrados com o Governo angolano, revelou, nesta quinta-feira (25), o director-geral do Serviço Nacional da Contratação Pública (SNCP), Osvaldo Ngoloimwe, à margem da 6.ª Conferência Angolana de Compliance, realizada em Luanda.

Deste universo, avançou o responsável máximo da instituição, pelo menos 80 processos encontram-se em tramitação no SNCP, no âmbito de uma acção coordenada com a Administração Geral Tributária (AGT), devido às dificuldades de acesso a algumas das empresas envolvidas.

As empresas são, na sua maioria, ligadas aos sectores como construção, aquisição de bens, equipamentos e prestação de serviços e instituições envolvidas em projectos de combate à pobreza, entre grandes, médias e microempresas.

Osvaldo Ngoloimwe especificou que, nesta altura, o Serviço da Contratação Pública conta com 20 empresas disponíveis em retomar os trabalhos ou restituir a quantia paga pelo Governo. Disse que outras 36 companhias igualmente em incumprimento foram notificadas via Jornal da Angola por se encontrarem em parte incerta.

Em termos financeiros, o responsável pelo SNCP afirmou que ainda não é possível quantificar os prejuízos causados ao Estado, uma vez que, além das entidades já identificadas, existem várias empresas cujo paradeiro permanece desconhecido. No entanto, assegurou, as diligências prosseguem com vista à sua localização.

“Este número preocupa-nos bastante enquanto Ministério das Finanças, de forma particular, bem como órgão regulador e supervisor do mercado da contratação pública, na medida em que isso tem implicações não só para o Estado, que sai a perder, com somas financeiras avultadas, como para a empresa envolvida, porque impede que receba outros pagamentos ou participe de outros procedimentos de contratação pública, num período que vai de 1 a 3 anos”, observou.

Tal facto, segundo Osvaldo Ngoloimwe, não se deve ao incumprimento por parte do Estado, porquanto, assegurou, o Executivo, em muitos casos, cumpriu com a sua obrigação financeira e as empresas, “por falta de comprometimento”, falharam nas suas obrigações contratuais.

“Por exemplo, temos empreitadas com 100% do pagamento feito. Não se trata de [uma simples] emissão de ordem de saque, mas de dinheiro que reflectiu na conta do operador económico, tendo-se verificado, mais tarde, uma descontinuidade na execução física das obras”, acusou o director-geral do SNCP.

Osvaldo Ngoloimwe apelou às empresas, sobretudo às que executam empreitadas públicas em que o Estado tem cumprido as obrigações financeiras, registando um grau de execução financeira superior ao grau de execução física, que retomem as obras e assumam “plenamente as suas responsabilidades e assegurem a concretização do interesse público”.

Economia e Mercado 

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