Falta de manutenção de máquinas obriga pacientes do Hospital Agostinho Neto no Lubango a reduzir sessões de diálise

No total, catorze das trinta máquinas permanecem avariadas devido à dívida. Como consequência, pacientes reduziram de quatro para três as terapias de hemodiálise. Direcção do hospital confirma que equipamentos estão parados. Quanto à dívida, garante que falta só a ordem de saque do Ministério das Finanças, MINFIN.

A Associação de Pacientes Renais no Lubango denuncia que os doentes foram forçados a reduzir as sessões de diálise e o horário de tratamento devido à avaria de 14 das 30 máquinas de hemodiálise do Hospital Geral Dr. António Agostinho Neto. Em causa, segundo a responsável do grupo, Lurdes de Freitas, está uma dívida de mais de dois milhões de dólares que o Ministério da Saúde (MINSA) tem com a empresa alemã Fulgenios, que assiste o centro naquela província.

“A Fulgenios há muito que já não faz manutenção dos equipamentos devido a dois milhões e meio de dólares de dívida que o MINSA tem com a empresa”, revela Lurdes de Freitas, sublinhando que a situação já se arrasta há mais de seis meses.

Sobre o assunto, o Novo Jornal contactou a empresa alemã, e uma fonte desta instituição, sem gravar entrevista, garantiu que a dívida existe.

Em contrapartida, enquanto o problema não é solucionado, os doentes, em vez de realizarem quatro horas de sessões, fazem apenas três horas de diálise, o que preocupa a associação.

“É muito grave, pois a falta de sessões pode levar à morte do paciente. A comunicação entre o rim e o coração fica nula, o coração acaba por inflamar e, eventualmente, rompe-se. O meu esposo morreu dessa maneira, e há muitos doentes nesta mesma situação aqui no centro, facto que nos preocupa. São muitas vidas em jogo”, alerta Lurdes Freitas.

A ausência de balança no Centro de Hemodiálise do Lubango, que está em operação há cinco anos, também é uma preocupação para a responsável da associação de pacientes em diálise na província da Huíla. “Neste momento, não temos balança para medir o peso dos pacientes, ficamos sem saber qual é o peso normal do doente antes e após a sessão de diálise, o que é grave. Muitos, depois da hemodiálise, começam a cambalear porque não se sabe o peso real”.

Outra questão levantada diz respeito à falta de água no centro, resultando em alterações no horário das terapias que passaram das 6 da manhã para as 10 horas. “Temos falta de água no hospital. A sessão das seis horas agora é às 10 horas. Para além disso, temos falta de profissionais. Imagine que, com 30 máquinas operacionais no início, somente três enfermeiros gerenciavam todo o processo durante 24 horas. Se essa situação for superada, acreditamos que o Centro de Hemodiálise do Lubango pode melhorar consideravelmente, pois possui equipamentos modernos”, observa.

Direcção do Hospital confirma dívida

A directora-geral do Hospital Central do Lubango ‘Dr. António Agostinho Neto’, Lina Antunes, confirma haver dívidas que considera “muito altas e antigas” por parte do Ministério da Saúde para com a Fulgenios, mas garante que já está em curso o processo de liquidação e, para o efeito, falta o processamento das ordens de saque por parte do Ministério e das Finanças (MINFIN).

“Devido às dívidas, as máquinas há muito estão avariadas. Estamos a falar de uma dívida que ronda em mais de dois milhões e meio de dólares norte-americanos.

A Associação de Pacientes Renais no Lubango denuncia que a quantidade de sessões e o horário de tratamento foram reduzidos devido à avaria de 14 das 30 máquinas de hemodiálise

«Temos falta de água no hospital. Sessão das seis horas agora é às 10 horas. Para além disso, temos falta de profissionais»

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