- A sucessão na liderança do MPLA ganhou um novo e inesperado rosto. Irene Neto, filha do fundador e primeiro Presidente de Angola, Agostinho Neto, avança formalmente para a corrida à liderança do partido, numa candidatura que promete agitar as estruturas internas do MPLA e reabrir um debate que muitos consideravam encerrado.
A candidatura já está em movimento. Uma equipa encontra-se no terreno, o manifesto está em preparação e as assinaturas de apoio começam a ser recolhidas em Luanda e Benguela — sinal de que a entrada de Irene Neto na corrida não é simbólica, mas antes uma aposta política concreta e estruturada.
O perfil da candidata combina experiência técnica e trajectória institucional. Médica de formação, ex-deputada à Assembleia Nacional e antiga vice-ministra das Relações Exteriores para a Cooperação, Irene Neto apresenta-se como uma figura com peso histórico e ambição política declarada. Casada com o empresário Carlos São Vicente, enfrenta pela frente nomes de peso dentro do partido, como Higino Carneiro e António Venâncio.
Para o jornalista Jorge Eurico, a entrada de uma mulher na disputa pela liderança do MPLA representa um momento inédito na história do partido. Mais do que um apelido carregado de simbolismo — o da família que fundou a nação angolana — está em causa uma visão para o futuro do partido e do país. O jogo começou. E desta vez, as regras podem ser diferentes.
Margem do Erro (Jorge Eurico )
